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Hipertensão Arterial induzida por Apneia do Sono.

Os distúrbios relacionados ao sono estão cada vez mais presentes na sociedade moderna. Este fato decorre dos diversos fatores de risco que nos expomos diariamente em nossa estilo de vida. Má alimentação, obesidade, estresse, ansiedade, hábitos inadequados do sono, uso excessivo de cafeína e outros estimulantes, são alguns do elementos que prejudicam a qualidade da recuperação diária do nosso organismo.

Existem diversas consequências a má qualidade do sono. Porém, uma das principais correlações estudadas nos últimos tempos é a existente entre Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) e Hipertensão Arterial Resistente (HAS Resistente).

A AOS é uma patologia comum e que caracteriza-se por períodos repetidos de apneia, durante o sono, decorrentes da obstrução da via aérea superior. Além da apneia, os pacientes apresentam ronco, nicturia e insônia. Não somente relacionada a HAS resistente, a AOS pode aumenta de maneira significativa todo o risco cardiovascular.

Os principais fatores de risco da AOS são: obesidade, variações anatômicas da face e vias aéreas, hipoplasia de mandíbula, síndrome de Down e Marfan, sexo masculino, idade avançada, pós menopausa, tabagismo, ingesta de álcool e sedativos, sono REM excessivo e dormir em posição supina.

A HAS resistente decorre nos pacientes com AOS devido a disfunção autonômica com elevação dos níveis de catecolaminas plasmáticas impedindo a redução adequada da pressão arterial durante o sono, mesmo naqueles que estão em uso de anti-hipertensivos. Sendo assim, os médicos deveriam considerar a possibilidade de AOS em pacientes que já estão em uso de anti-hipertensivos em doses otimizadas sem sucesso na terapêutica.

O HeartBEAT trial é um dos principais e mais recentes estudos a esse respeito. Nele foram avaliados 284 pacientes com efeito comparativo entre uso de medicação, suplementação noturna de O2 e CPAP em biomarcadores cardíacos. Este estudo demonstrou que pacientes com AOS possuem 4 vezes mais chance de desenvolver HAS resistente mesmo em uso adequado de medicamentos.

Trabalhos anteriores direcionam ao uso de CPAP. Esta terapia pode reduzir até 3 mmHg na pressão arterial(PA) média e 2.6 mmHg da PA sistólica das 24h dos pacientes com impacto direto no risco cardiovascular. A associação do uso do CPAP com medicamentos anti-hipertensivos (IECA e BRA, principalmente) em doses elevadas possui maior impacto do que apenas o CPAP.

Outros pesquisadores apontam que o uso de espironolactona reduz significativamente a HAS destes pacientes quando comparado ao uso de tiazídicos. Isto está relacionado ao fato de que a Aldosterona media de maneira significativa a retenção de líquidos que naturalmente pioram a HAS e a AOS, sendo assim o hiperaldosteronismo um dos fatores causais deste fenômeno.

Ademais, a abordagem cirúrgica da via aérea, mudanças do hábito com higiene do sono, perda de peso e eliminação de outros fatores de risco, auxiliam na resposta terapêutica destes pacientes.

Muitos estudos ainda estão sendo apresentados a respeito do tema. O maior desafio até então parece estar relacionado a mudança de hábitos destes pacientes e convencimento do uso do CPAP. É comum a queixa de pacientes a respeito do sufocamento causado pela máquina durante o sono, e por incrível muitos deles argumentam que a redução da PA é muito pequena. Entretanto, sabemos que mesmo uma pequena redução da PA já é o suficiente para redução do risco cardiovascular e um passo mais próximo a redução no número de medicamentos utilizados.

Sem conflitos de interesse pelo autor.

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Referências:

1. UpToDate.com – Obstructive sleep apnea and cardiovascular disease

2.  J Clin Sleep Med. 2014;10:835-843

3. MedScape.com – Severe Sleep Apnea Linked to Resistant Hypertension

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