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O uso indiscriminado de medicações teratogênicas na sala de emergência

250-BANNER6Usualmente médicos atendem mulheres em idade fértil em grandes emergências Brasil a fora. Essa faixa etária (10 a 49 anos de idade) representa uma parcela ampla destes atendimentos. Muitas vezes os casos são simples e apenas uma medicação oral soluciona o problema. Todavia, você já se questionou quantas vezes indaga a possibilidade desta paciente estar grávida e desta medicação ser teratogênica?

Vinte e dois por cento é o número de pacientes em idade fértil que tiveram teste de gravidez solicitado antes da administração de medicações teratogênicas em unidades de emergência. Este é um dado de um analisado pelos pesquisadores doNational Hospital Ambulatory Medical Care Survey durante 2005 até 2009, onde verificou-se 141 milhões de atendimentos de mulheres em idade fértil nas emergência, com prescrição de medicamentos teratogênicos para 10 milhões e apenas 22% realizaram teste de gravidez. Os medicamentos mais prescritos foram benzodiazepínicos, antibióticos e anti-epilépticos.

Obviamente não discute-se a necessidade de prescrição imediata de medicamentos para qualquer paciente em risco de morte ou sequela definitiva. O ambiente em sala de emergência compõe-se de solucionar o problema imediatamente. Entretanto, devemos contar que a simples pergunta e investigação durante anamnese podem apontar um direcionamento para a possibilidade de gestação.

Quatro abordagens podem ser feitas para mulheres em idade fértil que necessitam de medicamentos teratogênicos:

  • Mulheres não grávidas: Discutir as possibilidades, riscos e benefícios no uso da medicação e na possibilidade de uma gestação. Ademais, reforçar aspectos relacionados a fertilidade.
  • Mulheres que não querem engravidar: Utilizar métodos de contracepção seguros e orientar com objetivo de evitar uma gestação naquele momento.
  • Mulheres que desejam engravidar: Monitorar e acompanhar de perto. Orientar os riscos do uso da medicação e de sua suspensão.
  • Mulheres gestantes: Orientar riscos e benefícios do uso da medicação, avaliar e definir possibilidade de troca por outro medicamento, encaminhar para acompanhamento médico específico durante pré-natal.

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Assim a maior parte dessas pacientes em idade fértil teremos tempo de investigar uma possível gravidez. Evitar o uso de medicações teratogênicas em mulheres grávidas possibilita a redução de um custo muito mais elevado (principalmente emocional) do que o baixo custo de realizar-se um teste de gravidez com urina na emergência.

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Referências Bibliográficas:

Teratogens Are Often Prescribed Without Pregnancy Testing – Ali S. Raja, MD, MBA, MPH, FACEP reviewing Goyal MK et al. Acad Emerg Med 2015 Jan 29.

 

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