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Conheça Watson: O megacomputador que está revolucionando a tomada de decisão clínica na medicina

Atualmente, apenas 20% do conhecimento utilizado por médicos em decisões clínicas de diagnóstico e tratamento são baseadas em evidência, segundo especialistas. O resultado disso é que 1 em cada 5 diagnósticos está incorreto ou incompleto, e aproximadamente 1,5 milhões de medicações são administradas erroneamente por ano nos Estados Unidos.

Em parte, este problema é causado pela incapacidade do médico em se manter 100% atualizado com a literatura, e por sua limitação em aliar este conhecimento com a montanha de dados fornecidos pelo paciente através de sua história, exame clínico, e da vastidão de registros em prontuários médicos.

Dada a complexidade da decisão clínica, como profissionais de saúde podem corrigir este problema? Como pode a medicina utilizar toda a enorme quantidade de conhecimento acumulado, filtrar este conhecimento e basear toda e qualquer decisão clínica em evidência científica? Mais do que isso, como essa decisão pode ser o mais individual possível, considerando as particularidades de cada paciente?

Este modelo ideal, em que todo o conhecimento médico é analisado, ponderado e traduzido em tomadas de decisão únicas e individualizadas, está mais próximo do que você imagina. Se a mente humana apresenta seus limites na análise da “big data” (termo referido a grandes quantidades de informação), Watson rompeu este limite.

Mas quem é Watson? Um personagem da literatura inglesa famoso por auxiliar o detetive Sherlock Holmes?

Mais do que isso, Watson, nomeado a partir do personagem homônimo, é um supercomputador desenvolvido pela IBM que ficou famoso ao ganhar de humanos em um jogo de perguntas e respostas sobre conhecimentos gerais na TV americana (Jeopardy!), e que está sendo utilizado por profissionais do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, um dos mais modernos e renomados centros americanos de tratamento oncológico, para analisar um banco de dados imenso de prontuários médicos e publicações científicas para ajudar na tomada de decisão clínica.

Diferente de computadores comuns, Watson utiliza sua capacidade de utilizar e interpretar a linguagem, gerar hipóteses e aprender com evidências para ajudar profissionais na tomada de decisão.

Por exemplo, um médico pode utilizar Watson para auxílio no diagnóstico e tratamento de seus pacientes: Primeiramente, o médico indica os sinais, sintomas e outros fatores presentes no caso. Watson, então, busca dentro de todos os dados do paciente disponíveis, como história familiar, medicações em us, história pessoal e registros médicos, combinando esses dados com todo o conhecimento médico disponível para formular hipóteses e testá-las, interpretando com maestria a terminologia médica e processamento de linguagem. Watson é capaz de incorporar diretrizes clínicas, gravar registros médicos eletrônicos, anotações da equipe de saúde, pesquisas e ensaios clínicos, artigos científicos e toda e qualquer informação registrada.

A partir desta complexa análise, Watson formula uma lista de potenciais diagnósticos com o nível de evidência para cada hipótese, ajudando o médico a tomar decisões mais precisas. Com o diagnóstico dado, pelo médico, utilizando-se do mesmo sistema de análise, o computador ainda lista possíveis tratamentos com seus níveis de evidência e indicações mais específicas para o caso em questão.

Watson é uma ferramenta auxiliar, não substitui o médico, e sim o complementa; não toma suas decisões, e sim o auxilia. Mais do que isso, Watson reforça a qualidade humana, pois, ao se dedicar na análise de dados, permite ao médico gastar mais tempo em sua relação com o paciente. No final das contas, quem examina, quem cuida, quem alivia continua sendo a equipe de saúde, e Watson é nosso principal aliado.

Como médico, me vejo daqui a uns anos em meu consultório, utilizando não mais do que meu estetoscópio, minha habilidade clínica em examinar, minha qualidade humana em cuidar e, por que não, Watson para me auxiliar. E, após cada desafio diagnóstico e cada tomada de decisão terapêutica, uma frase será a mais repetida: “Elementar, meu caro Watson!”

Quer conhecer mais sobre o Watson? Acesse o link abaixo, e assista ao vídeo para entender como funciona:

http://www.ibm.com/smarterplanet/us/en/ibmwatson/

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