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Você não precisa de antibióticos!

250-BANNER6O uso excessivo e indiscriminado de antibióticos é um mal provocado por médicos e pacientes e que irá afetar toda a população humana. A cada semana, bactérias ao redor do mundo tornam-se mais resistentes. Este é um processo em evolução desde a descoberta da penicilina por Alexander Fleming no início do século XX.

Apesar dos avanços científicos no combate às super bactérias, a prevenção ao uso excessivo de antibióticos parece ser o caminho mais sensato nesta guerra, visto que a maior parte dos germes parecem ser capazes de se adaptar, modificar geneticamente e tornar-se resistentes a terapêutica. E essa modificação bacteriana definitivamente é mais veloz do que o desenvolvimento de novas terapêuticas.

O uso indiscriminado é tanto que nos EUA, segundo uma pesquisa realizada em 2011, 80% da população havia recebido a prescrição de algum antibiótico naquele ano. O maior inconveniente é que, em grande parte dos casos, estes medicamentos foram prescritos para tratamento de doenças virais. Este problema decorre não só por parte do médico prescritor, mas também por parte do paciente que tenta comprar por conta própria, ou aconselhado por algum não médico, ou que muitas vezes questiona o médico na consulta: “Não preciso mesmo de antibiótico, doutor?”.

Na última semana, a OMS lançou um relatório divulgando os principais aspectos sobre a prevenção de resistência antimicrobiana em todo o mundo. Os números foram pouco animadores, visto que apenas 25% dos países (34 dos 134 participantes) apresentaram algum plano de combate a resistência aos antibióticos.

Um dos principais aspectos para vencer esta guerra é o monitoramento dessa resistência. Porém, este tipo de ação é infrequente principalmente porque em muitos países a estrutura dos laboratórios é ultrapassada, e o armazenamento e transmissão de dados também. Isto impacta diretamente na capacidade de escolha da antibioticoterapia correta, programas de prevenção de infecções hospitalares e manejo de epidemias por germes resistentes.

Outro ponto significativo é o baixo investimento em campanhas de conscientização e educação populacional, principalmente para apresentação de que nem toda infecção necessita de antibioticoterapia e, principalmente, combate à compra deste tipo de medicamento sem prescrição médica.

Desde 2010, o Brasil adota como obrigatória apresentação de receita para compra de antibióticos. Esse com certeza foi um grande passo para reduzir o uso excessivo e desnecessário de antibióticos.

Porém, o relatório da OMS apresentou que no continente americano apenas 3 dos 35 países membros possuem algum plano para reduzir a resistência, e o Brasil não é um deles.

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Com o objetivo de solucionar esta questão, a OMS desenvolveu um Plano de Ação Global para combater a resistência antimicrobiana. Em maio deste ano, durante a 68a assembleia mundial de saúde, este plano será apresentado e os países assinarão o termo de compromisso para cumprimento de metas.

Ações governamentais são muito importante e possuem impacto em massa. Entretanto tudo começa na conscientização dos médicos e educação dos pacientes. Reveja as suas prescrições e orientações. E quem sabe na próxima consulta você já poderá dizer: “Tenho uma notícia muito boa para te dar. Você não precisa de antibióticos desta vez.”

blog.pebmed.com.br  

http://nacoesunidas.org/uso-excessivo-de-antibioticos-afeta-capacidade-de-tratar-doencas-alerta-oms/

http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2015/antibiotic-resistance-lacking/en/

The Numbers Behind Antibiotic Overuse  Abigail Zuger, MD reviewing Hicks LA et al. Clin Infect Dis 2015 May 1.

 

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