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Obesidade: Uma doença da mente?

A obesidade é um tema recorrente em discussão na sociedade. Os números mais recentes da OMS apontam este problema como uma epidemia que se alastra por todos os países. Milhões de pessoas ao redor do mundo morrem de doenças relacionadas ao ganho de peso excessivo.

Pesquisas de novos tratamentos para este problema estão surgindo dia após dia ao redor do mundo, uma das novidades mais recentes foi apresentada há algumas semanas: o dispositivo VBLOC.  Porém, a cada dia pesquisadores de toda a parte do planeta buscam entender a cascata multicomplexa que desencadeia o ganho de peso incontrolável.

Diversos estudos apontam distúrbios genéticos e hormonais, junto com estilo de vida moderno, como os maiores vilões. Até mesmo a privação do sono já foi apontada como um dos possíveis contribuintes. Todavia, a tese do comprometimento do sistema nervoso central ganha força entre médicos de todo o mundo.

No último Congresso Europeu de Obesidade, em Praga, pesquisadores da Universidade Dublin reforçaram que o principal elemento causador de obesidade é a deficiência de hormônios que deveriam elevar-se após cada refeição e gerar um up-regulation da saciedade no sistema nervoso central. Esse estímulo é desencadeado por terminações nervosas do nervo vago conectadas ao estômago. Desta maneira, os pesquisadores comprovaram que o maior potencial de emagrecimento das cirurgias bariátricas, quando comparado a medicamentos por exemplo,  é por aumentar este estímulo ao tornar a resposta de up-regulation  mais eficiente e rápida.

A grande questão envolvida é que, em geral, nós médicos costumávamos relacionar a obesidade a uma doença psicológica, e não a uma doença orgânica do sistema nervoso central. A mudança deste paradigma não visa rotular obesidade como uma doença do cérebro, porém, pode ser o princípio para uma melhor compreensão de como prevenir obesidade a partir da maneira como realizamos o tratamento dela.

Outro ponto debatido no congresso foi a questão de personalizar o tratamento da obesidade para cada individuo.  Registra-se ser cada vez mais necessária a avaliação de cada elemento que cerca os hábitos, estilo de vida e consumo do paciente, visto que apenas 20% dos casos de obesidade são atribuídos a mutações genética. A compreensão do perfil fisiológico de cada individuo conduz a escolha do melhor tratamento para os pacientes obesos.

A batalha para a perda de peso pode ser mais bem sucedida quando o paciente compreende melhor o desafio, as dificuldades e aprende que a perda de pelo menos 5 a 10% do peso já pode ser o suficiente para trazer benefícios como a redução do risco cardiovascular, o que já pode ser obtido apenas com medicação como opção terapêutica. Esta perda parece pequena quando comparada ao resultado da cirurgia bariátrica que gira em torno de 35% de perda de peso. Porém, esta última se trata de uma abordagem mais invasiva, incluindo riscos inerentes ao procedimento e apresentando indicações mais específicas.

As novas drogas que estão em desenvolvimento prometem alcançar a faixa de 15% em perda de peso. Os pesados investimentos da indústria farmacêutica, na compreensão da fisiologia do emagrecimento, podem conduzir a tratamentos mais eficazes. Pesquisas para intervenção na cascata de saciedade parecem o caminho mais promissor.

Sabemos que o principal elemento no emagrecimento de pacientes obesos, e na manutenção do peso alcançado (outra batalha a ser vencida), é a força de vontade e dedicação do paciente, alinhado ao comprometimento deste com a equipe de saúde. Auxiliar o paciente com medicações e procedimentos pode ser um caminho para superar uma doença que parece muito mais estar relacionada ao cérebro seja pela regulação da saciedade, seja pelo desejo do paciente em ter uma vida mais saudável.

Obesity as a “Brain Disease”; a Driver for New Therapies Lisa Nainggolan May 08, 2015 – Medscape

Is obesity a brain disease? Shefer G1, Marcus Y, Stern N. Neuroscience & Biobehavioral Reviews

 

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