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AVE pediátrico: O vilão sorrateiro, o diagnóstico ignorado!

250-BANNER6O acidente vascular encefálico (AVE) é uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. Seus clássicos sinais de déficit focal: disartria, hemiparesia/plegia e rebaixamento do nível de consciência são confrontados diariamente em todos os serviços de pronto-atendimento.

Dada a prevalência, suspeitar deste diagnóstico em idosos com múltiplas co-morbidades cardiovasculares não é difícil, mas e em crianças? Como você suspeitaria de um AVE em uma criança? Como seria a avaliação neurológica? Como identificaria a presença de fatores de risco que aumentariam sua suspeição clínica? Este é um grande desafio diagnóstico que está sendo posto cada vez mais em evidência.

Estudo americano publicado no Annals of Neurology alarmou um aumento de 51% na incidência de AVE isquêmico em meninos e de 3% em meninas da mesma faixa, quando comparados os períodos de 1995-1996 com 2007-2008. Esta incidência já atinge 6 casos por 100000 crianças por ano nos Estados Unidos, o que aumenta a importância da doença.

Os desafios do diagnóstico de AVE em crianças são muito maiores do que em adultos. Os sinais precoces de isquemia em crianças são mais sutis do que em adultos, geralmente sendo não reconhecidos. Isso é especialmente preocupante para recém-nascidos, que, segundo a International Alliance for Pediatric Stroke (IAPS), só começam a demonstrar sinais a partir dos 4-8 meses de vida.

Como pais, cuidadores e até mesmo pediatras e profissionais de saúde não associam com frequência AVE com crianças, na maioria das vezes a hipótese diagnóstica nem é indicada como possibilidade, e a correta abordagem diagnóstica não é prosseguida. Estudo australiano desenvolvido pelo Children’s Stroke Program no Royal Children’s Hospital em Melbourne, a partir de inquérito aos pais de crianças diagnosticadas com AVE, revelou que apenas 50% dos pais identificaram os sinais e sintomas de seus filhos como sérios o suficiente para solicitar ajuda, enquanto 21% revelaram que esperaram pela melhora da criança antes de buscar atendimento; e apenas 36% consideraram AVE como uma possibilidade.

O tratamento precoce, assim como na população adulta, apresenta impacto direto no desfecho do quadro. Atualmente, sua mortalidade gira em torno de 20-40%, e daquelas que sobrevivem, cerca de 50-80% terão sequelas neurológicas para o resto da vida.

O despreparo da equipe de saúde também foi evidenciado pelos estudos, que demonstraram que muitos casos de AVE pediátrico nos Estados Unidos demoram mais de 24 horas para serem diagnosticados, comprometendo totalmente o prognóstico do quadro. Por ser considerada doença de adulto, neurologistas não estão familiarizados com os sinais e sintomas na população pediátrica, e, mesmo neuropediatras, dada a raridade do quadro, não presenciam casos com frequência e não apresentam ampla experiência no assunto.

O diagnóstico etiológico também é desafiador, exigindo exames de imagem acurados e, muitas vezes, exames de sangue em busca de trombofilias e hemoglobinopatia. Exige, portanto, uma abordagem multidisciplinar para sua completa avaliação, visando a adoção de melhores práticas de prevenção de novos episódios naquela criança.

Maio é o American Stroke Awareness Month, e, dos dias 2 a 8 deste mês, a semana foi dedicada ao AVE pediátrico (World Pediatric Stroke Awareness Week). Sendo assim, na próxima semana, retornaremos com a segunda parte de nossa reportagem especial sobre o AVE pediátrico, orientando quando suspeitar, como diagnosticar e quais propostas de tratamento precoce levam a melhores desfechos.

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Referências Bibliográficas:

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