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Você compraria os seus serviços?

PEBmed Convida: Dr. Fernando Carbonieri

Médico, Fundador e CEO do portal Academia Médica, também atua como preceptor da Semiologia Geral do Curso de Medicina da PUCPR Campus Londrina. Integrante da Comissão de Integração do Médico Jovem do Conselho Federal de Medicina do Paraná. Editor associado da Revista do Médico Residente. Hoje, lemos uma reflexão sobre como lidamos com a valorização do nosso maior produto: Nossos Serviços Médicos

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Tem uma palestra que dou a acadêmicos de medicina do primeiro ano. Repito ela por muitas e muitas vezes durante o curso de medicina e nas palestras que sou convidado a ministrar. De fato vivemos o auge da revolução da informação, e o nosso tão valorizado conhecimento médico pode, por vezes, ser diminuído por uma simples pergunta ao Dr Google.

Para os mais puristas, sinto em dizer que os pacientes sempre procuraram informações extra consultório. Quantas foram as vezes que vocês se depararam com aquele que resolveu tomar um chá ou medicamento que o vizinho tomava para aliviar sua dores? Ou ainda, quantas fora as vezes que a miraculosa solução apresentada no “Globo Repórter” foi mais valorizada que suas orientações de consulta? Hoje podemos dizer que algumas informações apresentadas em sites, blogs e redes sociais tem sim um valor muito grande para o paciente. E para você?

Alguns podem dizer: Mas isto é um absurdo… “Somente o médico é o responsável por propagar os conhecimentos ao paciente sobre a melhor forma dele viver os próximos anos da sua vida com qualidade”; ou ainda, “o Dr. Google fornece informações que são prejudiciais ao bem estar do paciente”; “São prejudiciais a um bom acompanhamento médico”; “Esqueça tudo o que você pesquisou no google e preste atenção às minhas instruções”.

De fato você está certo ao afirmar tais situações. Somente nós estudamos para compreender o ser humano de forma holística. Nossos questionamentos durante a anamnese devem sempre procurar a história daquele indivíduo. Somos nós que tentamos abstrair para correlacionar todos os caminhos que levaram aquele (homem ou mulher) a estar na nossa frente e expor suas andanças, caminhos e descaminhos, mas você já pensou no COMO o paciente chega até você?

De novo arranjarei problemas com os puristas, mas tenho que afirmar que somos sim um produto! Basta você fazer uma breve reflexão do como escolhe o seu médico. E nisso perseguimos algumas premissas:

  1. Escolhe pelo talento do colega que você conhece desde a faculdade;
  2. Escolhe pela indicação de um outro amigo ou colega que afirma que tal médico é o melhor para você;
  3. Escolhe porque seu plano de saúde é aceito pelo colega;
  4. Escolhe porque você não tem opção e caiu na mão daquele que estará lá para te atender.

Existem algumas hipóteses além destas que eu não julguei necessário colocar neste texto. Entretanto, acredito que a suma maioria que nos lê neste momento seguiria as opções número 1 e 2, almejando o melhor para si e para seus queridos.

Abstração novamente.

O exercício que fizemos foi o mesmo que qualquer indivíduo que sabe o valor do seu dinheiro executa diariamente. Compramos uma marca, um acessório, uma imagem de que aquilo que pagamos traga mais valor a nós.

Não adianta virem me refutar dizendo que a medicina não funciona assim. Infelizmente tenho que dar minha cara a tapa e dizer que funciona sim.

Somos um produto. E como tal, somos indicados, comercializados e, valorizados conforme a demanda e a procura. São mais procurados aqueles que unem a ciência ao humanismo. São estes os que destacam-se. São estes os que são procurados pelo povo. São estes os que você procura quando esta enfermo, caro doutor.

Eles tem seu preço, assim como você deve saber estipular o seu. A pergunta que resiste continua sendo: “Você compraria os seus serviços, doutor?”

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