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Café: o novo vilão das doenças cardiovasculares.

250-BANNER2O Brasil é um alto produtor de café e nós médicos somos um dos profissionais que utilizam desta bebida em seu dia a dia. Seja para encarar o longos plantões noturnos ou as matutinas sessões de casos clínicos, o café faz parte da rotina. Esse hábito é parte da vida de quase toda população. O brasileiro gosta do café, puro ou com leite, pela manhã e após o almoço. É uma característica nacional.

Um estudo do National Institute of Health (NIH), publicado em 2012 no New England Journal of Medicine (NEJM), correlacionou o consumo de café com diversas causas de mortalidade. Foram analisados dados de 400.000 pessoas entre homens e mulheres, com 50 a 71 anos. Os participantes tinham hábitos diferentes de consumo do café. O estudo demonstrou-se uma associação inversa entre consumo de café e mortalidade.

Entretanto, durante o último congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), que aconteceu em Londres no inicio deste mês, um novo sinal de alerta surgiu para os consumidores de café.

Pacientes em estágio 1 de hipertensão, entre 18 e 45 anos, que bebem de 1 a 3 espressos (60 a 70 mg de cafeína) por dia possuem três vezes mais chance de sofrerem um evento cardiovascular, sendo infarto do miocárdio o mais comum, do que não consumidores de café. Os dados são provenientes do estudo italiano HARVEST. Além disso, constatou-se maior risco em desenvolver hipertensão e pré diabetes diretamente associado ao consumo da bebida.

Os efeitos cardiovasculares e metabólicos a longo prazo, pelo consumo de café, ainda permanecem controversos, segundo Dr. Lucio Mos pesquisador do HARVEST.

Os pesquisadores italianos acreditam que efeito da cafeína no desenvolvimento de doenças cardiovasculares está relacionada principalmente ao desenvolvimento hipertensão e diabetes a longo prazo. Porém, sabemos que no contexto do desenvolvimento dessas duas doenças existem diversos outros elementos, como tabagismo, sedentarismo, hábitos alimentares, que podem influenciar tanto quanto ou mais do que o consumo do café.

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Alguns estudos ainda são necessários para avaliar o quanto o café é benéfico ou maléfico em nossa rotina alimentar. Diversos alimentos e bebidas já estiveram no papel de vilão do momento, e sempre um novo estudo surge recomendando ou desaconselhando o seu consumo. O ponto mais importante que permanece é a moderação. Qualquer tipo de consumo alimentar deve ser feito de forma moderada. Este talvez seja o principal segredo da longevidade.

 

Referências:

  1. Neal D. Freedman, Ph.D., Yikyung Park, Sc.D., Christian C. Abnet, Ph.D., Albert R. Hollenbeck, Ph.D., and Rashmi Sinha, Ph.D. Association of Coffee Drinking with Total and Cause-Specific Mortality; N Engl J Med 2012;366:1891-904.
  1. Mos L, Vriz O, Martina S, et al. Long-term cardiovascular and metabolic effects of coffee consumption in young hypertensive subjects: Results from the HARVEST study. European Society of Cardiology 2015 Congress; August 29, 2015; London, UK. Abstract 899.

 

 

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