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Burnout médico cresce 10% em 3 anos

O burnout, também conhecido como síndrome do esgotamento profissional, é uma síndrome que afeta milhões de trabalhadores ao redor do mundo. Há alguns meses atrás publicamos em nosso blog um texto sobre o impacto na vida dos profissionais de saúde.

Um estudo realizado por pesquisadores do departamento de medicina interna da Mayo Clinic, e publicado este mês na Mayo Clinic Proceedings, avaliou 6.880 médicos com um questionário entre Agosto e Outubro de 2014. O questionário avaliava a taxa de burnout, sintomas depressivos, ideação suicida nos últimos 12 meses, e satisfação no equilíbrio entre vida social-trabalho. O resultado foi comparado com dados coletados em 2011, e este foi alarmante.

Aproximadamente 54,4% dos médicos que responderam o questionário reportaram ao menos um sintoma de burnout em 2014 contra 45,5% dos participantes que responderam o questionário em 2011 (P < 0,001). Associado a isso o nível de satisfação no equilíbrio entre vida social-trabalho reduziu de 48,5% em 2011 para 40,9% em 2014 (P < 0,001).

A pesquisa também apontou que as mulheres médicas possuem maior risco em desenvolver burnout do que seus colegas médicos homens (OR: 1,29; P < 0,001).

Todas as especialidades apresentaram uma redução no nível de satisfação no equilíbrio entre vida social-trabalho, exceto ginecologia/obstetrícia e cirurgia geral. Apenas 40,1% dos médicos disseram que a sua rotina profissional deixa tempo livre o suficiente para vida pessoal e convivência familiar.

Não houve diferença no resultado da pesquisa no âmbito de depressão e ideaçãoo suicida quando comparada as respostas de 2011 e 2014.

Especialidade 2011 2014
Medicina da Família 51% 63%
Pediatria 35% 46%
Urologia 41% 64%
Ortopedia 48% 60%
Dermatologia 32% 56%
Reabilitação 47% 63%
Patologia 37% 52%
Radiologia 47% 61%
Cirurgia Geral 42% 52%

 Percentual dos médicos, participantes da pesquisa da Mayo Clinic, com Burnout por especialidade. MedScape 01.12.15

 

As principais causas do burnout médico são (Physician Burnout: It Just Keeps Getting Worse Carol Peckham January 26, 2015) :

  • Impossibilidades burocráticas e econômicas para prover o melhor atendimento aos pacientes;
  • Excesso de horas trabalhadas e redução do convívio social;
  • Ganhos econômicos abaixo do esperado.

Quando publicamos o nosso texto sobre burnout, em março deste ano, recebemos muitos feedbacks de leitores médicos que passavam por este problema ou conheciam outros profissionais que sofriam com a síndrome do esgotamento. O tema gera um grande interesse em profissionais de saúde pelo simples fato da recorrência de eventos relacionados a síndrome com estes profissionais.

Bons hábitos para evitar o burnout:

  • Aumentar a espiritualidade;
  • Férias regulares;
  • Cuidar da saúde física;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Cuidar-se visualmente;
  • Contar com apoio social;
  • Praticar hobbys.

 

Este é um tema que ainda precisa ser debatido no dia-a-dia médico. É provável que em breve existam dados relativos ao Brasil. Porém, esta realidade não será muito distante da apresentada acima. Mais pesquisas precisam ser realizadas, permitindo ações para impactar diretamente na satisfação destes profissionais e melhorando ainda mais a qualidade do serviço prestado.

Referências:

Changes in Burnout and Satisfaction With Work-Life Balance in Physicians and the General US Working Population Between 2011 and 2014. Tait D. Shanafelt et. Al.

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