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Insuficiência cardíaca grave favorece uma flora intestinal patogênica

Estudo italiano revela que pacientes portadores de insuficiência cardíaca apresentam hiperproliferação de microbiota intestinal patogênica e aumento da permeabilidade, com relação direta a gravidade da doença.

É bem conhecido que a insuficiência cardíaca causa edema de parede intestinal e consequente aumento da permeabilidade por perda da barreira intestinal contra patógenos, estando este mecanismo relacionado ao aumento na pressão intra-abdominal, déficit de perfusão e estase venosa esplâncnica.

No estudo, 60 pacientes bem nutridos e estáveis, porém portadores de insuficiência cardíaca e separados em dois grupos de acordo com a gravidade: IC leve (n = 30) e IC moderada-grave (n=30); foram comparados a 20 pacientes saudáveis do grupo controle. O estudo observou o crescimento de bactérias e fungos nas fezes de todos os pacientes, assim como avaliou a permeabilidade intestinal, a pressão atrial direita e a presença de inflamação sistêmica (pela dosagem da proteína C-reativa).

Os resultados demonstraram que 100% dos pacientes com insuficiência cardíaca apresentavam permeabilidade aumentada e 78,3% apresentavam alteração de flora intestinal, favorecendo um crescimento de bactérias e fungos patogênicos, como: Campylobacter, Shigella, Salmonella, Yersinia enterocolitica e Candida sp. Pacientes com insuficiência cardíaca também apresentaram maior pressão atrial direita e aumento de proteína C-reativa, ambos que não chegam a ser nenhuma surpresa dada a fisiopatogenia da doença. Todos os resultados demonstraram relação com a gravidade da doença sendo mais frequentes e intensos em pacientes com IC moderada-grave.

A principal conclusão do estudo é por ratificar a ligação entre insuficiência cardíaca e edema de parede intestinal, levando a uma perda da barreira intestinal e agregando morbidade à doença (embora a morbidade não tenha sido de fato estudada). Por se tratar de um estudo transversal, qualquer relação de causalidade é duvidosa, porém, pela própria plausibilidade biológica, acredita-se que a disbiose intestinal é consequência e não causa ou fator descompensante da insuficiência cardíaca.

Novos estudos devem ser realizados para avaliar a morbidade e o impacto na sobrevida diante de uma possível estratégia de reverter esta “disbiose” intestinal. Até o momento, não apresentamos evidência de nenhum modificador do perfil da flora intestinal que não o próprio tratamento da insuficiência cardíaca para estes pacientes, e probióticos não são aconselháveis.

 

Referência Bibliográfica:

  • Pasini E, Aquilani R, Testa C, et al. Pathogenic gut flora in patients with chronic heart failure. JACC: Heart Fail. 2015; DOI:10.1016/j.jchf.2015.10.009.

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