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Já conhece a nova vacina contra a Dengue?

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de liberar a vacina contra o vírus da dengue produzida pelo laboratório francês Sanofi Pasteur para venda no Brasil. A vacina já pode ser comercializada em território nacional, e, em breve, já estará disponível para aplicação por clínicas privadas. Quanto a inclusão da vacina no calendário nacional de imunização do SUS ainda teremos que esperar pelo posicionamento do Ministério da Saúde, que está a avaliar os prós e contras da vacina francesa.

Como tudo que há de novo em medicina, surgem diversas perguntas, principalmente por parte dos pacientes, quanto as indicações, contra-indicações, método de administração, frequência e proteção da vacina. Com o intuito de esclarecer nosso público médico e direta ou indiretamente nossos pacientes, organizamos nesta postagem as principais características da vacina, bem como suas limitações e dúvidas:

 

Indicação: Pessoas de 9 a 45 anos de idade. Fora desta faixa etária a eficácia é baixa, e, portanto, não recomendada. Isso não significa que pacientes fora da faixa etária não se beneficiam da vacinação. Visto que a imunização em massa diminuiria muito a circulação do vírus, e, consequentemente, todos seriam beneficiados (basta entender que o mosquito precisa contrair o vírus a partir de um indivíduo doente antes de transmiti-lo a um saudável).

Contra-indicações: Pacientes portadores de imunossupressão e gestantes.

Cobertura: Apresenta cobertura a todos os 4 sorotipos de dengue (1-4). Não apresenta cobertura para outros flavivírus como o Zika e o Chikungunya. Portanto, medidas de combate ao mosquito continuam sendo as mais eficazes.

Administração: Injetável por via subcutânea.

Aplicação: 3 doses com intervalo de 6 meses entre cada uma. Sendo, portanto, necessário cerca de 1 ano para conferir seu potencial total de proteção.

Eficácia: Quando comparada com outras vacinas, como a da febre amarela, sarampo e rubéola, cuja eficácia supera 90%, a Dengvaxia (nome oficial da vacina) apresenta eficácia não muito alta, em torno de 65%, sendo ainda menor para o sorotipo 2 (47%). Apesar da não tão expressiva eficácia, os estudos demonstraram que a principal proteção que a vacina confere é contra os casos graves de dengue, como a febre hemorrágica, diminuindo drasticamente o risco de evolução para o quadro grave.

Custo: A vacina apresenta um custo estimado em R$ 80,00 por dose, mas ainda não sabemos qual será o custo de aplicação nas clínicas particulares, que deve ser superior a este valor. O alto custo e a eficácia limitada são as características que mais pesam contra a adoção da vacina pelo SUS.

Além da vacina francesa, outras vacinas continuam em desenvolvimento, como a vacina brasileira que está em desenvolvimento no Instituto Butantan em São Paulo, ou a vacina da FIOCRUZ-GSK também em fase avançada. Mesmo que a vacina francesa não seja adotada, no momento, podemos ter certeza que estamos mais próximos do controle epidemiológico da doença, e casos graves, como os que causaram mais de 700 mortes no ano passado, se tornarão cada vez mais raros.

 

Referências Bibliográficas:

  • http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/12/anvisa-autoriza-uso-de-primeira-vacina-contra-dengue-no-pais-4939686.html
  • http://www.who.int/immunization/research/development/dengue_vaccines/en/

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