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Photo credit: aniquenyc via VisualHunt / CC BY-NC-ND
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Já fez o “FAST-HUG” no seu paciente hoje?

Nesta semana na sessão:  conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, apresentamos o método FAST-HUG para avaliação do paciente no CTI.

Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

250-BANNER1O “FAST-HUG”

Definição: Regra mnemônica amplamente usada em centros de terapia intensiva para revisar os cuidados
básicos aplicáveis a quase todo paciente crítico. Obs.: Fizemos adaptações ao protocolo original, de modo a aumentar a abrangência dos cuidados do médico intensivista.

Alimentação (Feeding)

  • Caso a estabilidade clínica permita, mantenha a nutrição do paciente, seja por via oral, enteral ou parenteral (ou associadas).
  • Sempre que possível, tentar iniciar o suporte nutricional nas primeiras 48 horas de internação.
  • Contra-indicação à alimentação enteral: Obstrução gastrointestinal. Contra-indicações relativas: íleo paralítico, hemorragia digestiva alta, náuseas e vômitos refratários à medicação, instabilidade hemodinâmica, isquemia mesentérica, fístula gastrointestinal de alto débito e anastomose gastrointestinal distal à infusão.
  • Pacientes com tempo de nutrição enteral superior a 30 dias (ou perspectiva) são candidatos a gastrostomia ou jejunostomia.
  • Metas de necessidade diária:
    • 25 Kcal/Kg/dia (60-60 % de Carboidratos e 25-35% de Lipídeos);
    • 0,8-1 g/Kg/dia de Proteínas, com possibilidade até 1,2-1,6 g/Kg/dia;
    • 30-35 mL/Kg/dia de água.

Analgesia (Analgesia)

  • A presença de dor e/ou desconforto é frequente no paciente crítico (aspiração de vias aéreas, drenos, mudanças de decúbito, procedimentos, cirurgias, intubação traqueal, dispositivos de monitorização
    invasiva).
  • A dor pode repercutir em piora hemodinâmica, aumento do metabolismo, depressão imunológica e distúrbios da coagulação.

Sedação (Sedation)

  • Níveis baixos de sedação podem levar a agitação e ansiedade, enquanto níveis excessivos resultam em maior tempo de ventilação mecânica e internação, além de risco de tromboembolismo.
  • A sedação não pode ser usada como substituta à analgesia, mas sim como complementar. Devido ao desconforto gerado, são preferidas drogas que resultem em amnésia.
  • As escalas de Ramsay ou de RASS devem ser aplicadas mais de uma vez ao dia, para otimizar o controle da sedação do paciente internado. Consulte a área de calculadoras para acessar esses escores.

Trombose (Thromboembolic prevention)

  • Deve-se ter atenção ao paciente acamado e restrito ao leito quanto à possibilidade de apresentar trombose venosa.
  • A profilaxia pode ser feita com medidas não farmacológicas (deambulação precoce, meias de compressão, colchão pneumático, mudanças de decúbito) ou farmacológicas. Os métodos mecânicos devem ser utilizados se a profilaxia estiver indicada e houverem contra-indicações a terapia farmacológica com Heparina.
  • Recomenda-se que o paciente seja reavaliado a cada 48 horas quanto à necessidade de manutenção da profilaxia.

Pacientes Clínicos – Indicações de Profilaxia Primária para TVP (Excluídas contra-indicações):

  • Insuficiência cardíaca descompensada;
  • Pneumopatia grave descompensada;
  • Pacientes restritos ao leito com fatores de risco para TVP (lista anterior).

Pacientes Cirúrgicos – Indicações de Profilaxia Primária para TVP (Excluídas contra-indicações):

  • Cirurgias de Alto Risco: Artroplastia de joelho e quadril, fratura de quadril, cirurgias oncológicas curativas, politrauma e trauma raquimedular;
  • Cirurgias de Grande Porte e Médio Porte em pacientes de alto risco (> 60 anos; ou < 60 anos na presença de outros fatores de risco – lista anterior).

Cabeceira elevada (Head of bed elevated)

  • Recomenda-se o decúbito em 30-45o para prevenir pneumonia por aspiração, principalmente em pacientes idosos, debilitados ou recebendo nutrição enteral.
  • Atentar para não manter apenas a cabeça do paciente elevado, mas também o tórax.

Úlcera de estresse, decúbito e córnea (Ulcer prevention)

Úlcera gástrica: Profilaxia da úlcera gástrica com as seguintes opções medicamentosas.

  • Sucralfato;
  • Cloridrato de Ranitidina;
  • Omeprazol;
  • Lansoprazol;
  • Pantoprazol;
  • Esomeprazol.

Úlcera de decúbito: Influenciada por fatores como pressão e fricção, idade, estado cognitivo/medular, capacidade de mobilidade, estado nutricional, umidade/incontinência, temperatura corporal e histórico de tabagismo. Conforme o aspecto externo, pode ser graduada em 4 estágios.

A ênfase deve ser dada à prevenção: identificação dos fatores de risco; manutenção da higiene do paciente (sabão neutro ou líquido) e do leito (roupa de cama não irritante); atenção à mudança de decúbito a cada 2 horas, com uso de travesseiros ou almofadas, e realização de massagem de conforto; colchões especiais, com redistribuição de peso e pressão; eliminar pressão causadas por tubos de soro e de sonda; movimentação passiva e ativa dos membros; deambulação precoce; secagem e aquecimento da comadre antes do uso no paciente; dieta e controle de ingestão líquida; orientação ao paciente e aos familiares.

Úlcera de córnea:

Podem ocorrer, principalmente, em pacientes sedados ou em coma, que podem apresentar lesão traumática, superficial, degenerativa, infecciosa ou ceratocone.

O tipo de lesão mais comum no paciente crítico é a abrasão corneana, devido à perda do reflexo de piscar, ao comprometimento do filme lacrimal e à incapacidade de fechamento ocular completo.

Se necessário, fazer a oclusão ocular (fechadura palpebral) por métodos artificiais (ex: esparadrapo).

Glicemia (Glucose control)

  • A monitorização e a regulação da glicemia no paciente crítico é importante porque, dificilmente, o paciente apresentará manifestações clínicas evidentes de uma disglicemia.
  • O estado de estresse agudo, geralmente, resulta em elevações da glicemia.
  • Uma meta entre 140-180mg/dL é razoável para a maioria dos pacientes.

Check-list (Adaptado)

Check-list (Adaptado)

  1. Alimentação (Nutrição);
  2. Analgesia regular e de resgate;
  3. Sedação;
  4. Profilaxia de TVP;
  5. Cabeceira do leito elevada;
  6. Prevenção de úlceras: gástrica, de pressão e de córnea;
  7. Controle da dispnéia e do broncoespasmo;
  8. Controle da tosse;
  9. Controle de náuseas e vômitos;
  10. Controle da constipação ou da diarréia;
  11. Controle do arurido;
  12. Controle da anorexia;
  13. Listagem de alergias e correção das medicações pela função renal e hepática;
  14. Despertar diário (nos pacientes sob sedação);
  15. Evitar uso desnecessário de cateteres e sondas (reavaliação diária);
  16. Programar desmame da ventilação mecânica;

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Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia-a-dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.
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