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Photo credit: North Dakota National Guard via Visual hunt / CC BY-NC-SA
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Critérios para doação de órgãos

Nesta semana em conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, apresentamos: Critérios para doação de órgãos. 
Se você não viu, na semana passada: Você sabe diagnosticar morte encefálica? Passo a passo diagnóstico em 6 etapas.
As melhores condutas para emergências e terapia intensiva você encontra no:  Whitebook Clinical Decision!
Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

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Doação de órgãos

  • Com a confirmação da morte encefálica (ME) – Se você não viu, na semana passada: Você sabe diagnosticar morte encefálica? Passo a passo diagnóstico em 6 etapas –  a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) é a responsável pela abordagem familiar para autorizar a doação de órgãos.
  • Estão estabelecidos os pontos-chave para o paciente potencial doador, para controle de volemia, pressão arterial e fluxo sangüíneo para manter estabilidade clínica, apesar da morte cerebral:

 

  • Controle térmico, para evitar hipotermia;
  • Balanço Hídrico rigoroso, para atingir a normovolemia;
  • Monitorizar a pressão arterial de forma invasiva em todo potencial doador de órgãos: Manter PAM > 60-65 mmHg ou PAS > 90 mmHg, com a menor dose de vasopressor possível.
  • Exame de Ecodooplercardiograma:  Fração de Ejeção ≥ 45%;
  • Monitorização Hemodinâmica: POAP ≤ 15 mm Hg e SvO2 > 70%.
  • Corrigir distúrbios do equilíbrio hidroeletrolítico (principais: acidose e disnatremia), manter controle glicêmico:
  • Controle da Glicemia (80-150 mg/dl).
  • Na+: 130-150 mEq/L.
  • Suporte Hematológico
  • Metas: Hto > 30%; Hb > 10 g/dL; INR < 2,0 e Plaquetas > 80.000;
  • Concentrado de plaquetas: 1 U/7-10 Kg de peso, IV. Se sangramento ativo e plaquetas < 100.000/mm3, ou se risco de sangramento ou pré-procedimento invasivo e plaquetas < 50.000/mm3;
  • Plasma fresco concentrado 10 mL/Kg, IV. Se INR > 1,5 e alto risco de sangramento, pré-procedimento invasivo ou sangramento ativo significativo;
  • Crioprecipitado 1 U/5-10 Kg de peso, IV. Se Fibrinogênio < 100 mg/dL e alto risco de sangramento;
  • Se houver indicação de transfusão, usar hemoderivados com sorologia negativa para CMV e com filtro de leucócitos.
  • Suporte ventilatório
  • Relação P/F > 300, com PaO2 > 80-100 mmHg, FiO2 < 40 % e SaO2 ≥ 95%;
  • Preferir FiO2 mais altas a elevados níveis de PEEP Pplato > 30 mmHg;
  • Corrigir a hiperventilação (manter PCO2 entre 35-40) e evitar lesão pulmonar associada à ventilação mecânica;
  • Reanimação Cardiopulmonar em doadores definidos
  • Exames básicos: Hemograma completo; Uréia, Creatinina, Na, K, Gasometria, TGO, TGP, Gama-GT, Fosf. Alc., Bilirrubinas, sorologias (HIV, CMV, Hepatites virais, toxoplasmose), culturas (secreção traqueal, hemoculturas e urina); Ecocardiograma (em casos específicos transesofágico); Broncofibroscopia (variável)
  • Reavaliar eletrólitos e gasometria arterial a cada 6 horas, e monitorar diariamente: TGO, TGP, Bilirrubinas e TAP.

Exames conforme a condição clínica na doação de órgãos:

  • Sangüinea: Grupo ABO;
  • Hematológicas: Hemograma, Plaquetas;
  • Eletrólitos: Na, K, Ca, Mg;
  • Doador de pulmão: GSA, Rx de tórax, medida da circunferência torácica;
  • Doador de coração: CPK, CKMB, ECG, Cateterismo cardíaco, Ecocardiograma;
  • Doador de Rim: Ur, Cr, EAS (urina tipo I);
  • Doador de Fígado: TGO, TGP, gGT, Bilirrubinas, Albumina, TAP/Ptta;
  • Doador de Pâncreas: Amilase, Lipase, Glicemias;
  • Infecções: colher culturas do sítio de origem.

Contra-indicações absolutas para doação de órgãos:

  • Sorológicas: HIV, HTLV I e II, Hepatites B e C;
  • Infecções virais sistêmicas, sepse ou infecção pelo HIV;
  • Meningoencefalite herpética;
  • Linfoma-leucemia de Células T associado à infecção viral;
  • Doença por Príons;
  • Neoplasia maligna ativa (exceto pele não melanoma e alguns tumores primários do SNC);
  • Colagenoses: Lúpus, artrite reumatóide e esclerodermia;
  • Uso de drogas ilícitas endovenosas.

Falsas contra-indicações:

  • Trypanossomna cruzi;
  • Echinococcus granulosus;
  • Micobactéria;
  • Outras infestações parasitárias.
  • Citomegalovirus humano;
  • Vírus de Epstein – Barr;
  • Treponema pallidum;
  • Toxoplasma gondii.

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Checklist dos Cuidados para Doação de órgãos

Reposição/Manutenção volêmica:

  • Se indicado: Ringer Lactato 20-30 mL/Kg, aquecido, IV, em 30 minutos.
  • Conforme necessário, fazer novas etapas.
  • Infundir 500-1000 mL sempre que houver sinais de hipofluxo e PVC < 4 mmHg;
  • Objetivo: manter PVC entre 8-12 mmHg (pode variar conforme os parâmetros ventilatórios.

Suporte nutricional

  • Dieta via enteral ou parenteral, na proporção de 15-30 % da necessidade diária.

Controle hemodinâmico: uso de vasopressores

  • Iniciar vasopressor antes de completar a expansão volêmica se PAM < 40 mmHg ou PAS < 70 mmHg;
  • Administrar infusão em dose necessária para manter PAM > 60 mmHg e Resistência Vascular Sistêmica entre 800-1200.
    • Limites
    • Dopamina e Dobutamina: < 10 mcg/Kg/minuto.
    • Noradrenalina e Epinefrina: < 0,05 mcg/Kg/minuto.

Infusões

  • Dopamina (50mg/10mL) 50 mL + SF 0,9% 200 mL; Concentração: 1 mg/mL. Dose inicial: 2 mcg/Kg/min, IV, em BI.
  • Noradrenalina (4 mg/mL) 20 mL + SG 5% 80 mL; Concentração: 200 mcg/mL. Dose inicial: 0,05-0,1 mcg/Kg/min, IV, em BI.
  • Dobutamina (250mg/20mL) 40 mL + SG 5% 210 mL; Concentração: 1000 mcg/mL. Dose inicial: 1-2,5 mcg/Kg/min, IV, em BI.
  • Vasopressina (20 U/1mL) 1 mL + 19 mL de SG 5%; Concentração: 1 U/mL. Administrar 1 mL, em bolus, seguido de infusão contínua de 0,5-2,4 U/hora, IV, em BI.
  • Reposição hormonal
    • Levotiroxina (200 mcg/mL) 0,1 mcg IV (bolus), com manutenção de 10 mcg/hora.
    • Metilprednisolona (40mg/1mL) 15 mg/Kg IV de 24/24 horas.
    • DDAVP (4mcg/mL) 1-4 mcg IV 1-2x/dia;
    • Opção: DDAVP (0,1mg/1mL) 20-40 mcg, spray nasal, 1-2x/dia.

Controle térmico:

  • Controle da Hipertermia
  • Administração de antitérmico regular, ou a critério médico – Exemplo: Dipirona Sódica (500mg/mL), administrar 1-2 mL IV diluído em AD, em caso de TAx ≥ 37.8oC;
  • Cobrir mãos e pés com toalhas secas;
  • Aplicar gelo nas axilas e virilhas e, eventualmente, lençóis molhados no corpo;
  • Utilizar ventilação com ar frio;
  • Suspender o aquecimento do circuito de umidificação do respirador;
  • Controle da Hipotermia
  • Aquecer ar ambiente e gases da ventilação mecânica.
  • Mantas térmicas.
  • Irrigação gástrica e/ou colônica com solução aquecida
  • Infusão de cristaloides a 43o C em veia central, na taxa de 150-200mL/hora.
  • Manter a temperatura central > 35o C (Ideal: 36-37.5o C).

Controle Glicêmico: Fazer esquema de controle glicêmico (Alvo: Glicemia entre 80-150 mg/dL.) com uso de solução em bomba de infusão:

  • Insulina Regular (100 U/mL) 0,1 mL IV, em bolus;
  • Insulina Regular 100U (1 mL) + SF 0,9% 99 mL (Concentração: 1U/mL) IV em BIC. Iniciar com 1 mL/hora;
  • Glicemia capilar de 6/6 horas;
  • Glicose hipertônica 50% 4 ampolas IV, se HGT < 70.

Anticoagulação: Heparina não Fracionada (5000 U/0,25 mL) 500 UI/Kg IV.

Cuidados Gerais:

  • Cabeceira elevada a 30o ou mais.
  • Passagem de Cateter nasogástrico ou nasoentérico.
  • Coletar duas hemoculturas, de sítios distintos, e cultura de urina, com técnica asséptica.
Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia-a-dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica. Para saber mais, recomendamos a leitura dos termos de uso dos nossos produtos.

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