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A política do cuidado: Desafios do médico na medicina interna

250-BANNER4Na medicina interna, o médico convive diariamente com complexos processos de decisão, que envolvem desde a internação até a alta. Como já não bastasse a complexidade das decisões em si, que partem de um julgamento clínico, o médico se vê envolvido pelos interesses dos demais agentes desse processo.

No ambiente hospitalar, três são os principais agente influenciadores da decisão médica: de um lado temos o paciente e seus familiares, que anseiam por uma curta estadia hospitalar, um diagnóstico instantâneo, um tratamento breve e uma cura completa; de outro temos as prestadoras de serviços de saúde, que cada vez mais fazem pressão para uma liberação precoce do paciente, uma redução nos custos de tratamento e um uso criterioso de ferramentas diagnósticas; e ainda temos a figura da equipe de gestão hospitalar, que tende a pressionar a equipe médica em busca dos resultados, dos indicadores de qualidade e que também busca as melhores estratégias para otimização dos leitos e faturamento visando ao lucro da unidade.

E onde fica o médico nessa história toda? O médico é o grande moderador deste ambiente hostil, tendo que conciliar seus conhecimentos clínicos com os interesses dos gestores, justificando sua conduta para aqueles que pagam a conta (prestadores de saúde) e convivendo diariamente com os anseios e frustrações do paciente e familiares.

Como médico, pude conviver com duas realidades distintas e opostas na medicina interna, a realidade de uma unidade de terapia intensiva de uma grande rede hospitalar e de excelência, e a realidade de um hospital federal decadente em estrutura e recursos porém dotado das mentes mais brilhantes em medicina do país.

Na rede hospitalar particular de excelência, a realidade é bem aquela descrita nos parágrafos acima, o médico como um grande conciliador entre os “interessados”. No hospital federal, no entanto, e que vale destacar, num hospital-escola, a arte da medicina interna apresenta desafios totalmente distintos. Neste ambiente, os “interessados” são outros: o grande e maior interessado é o paciente e sua família, e apresentam os mesmos anseios e demandas do paciente da rede particular; o gestor, na figura da administração pública como ela é hoje, promove o racionamento dos recursos, que, sendo escassos, devem ser estrategicamente utilizados para o atendimento à população; os prestadores de saúde, que nessa situação seria o estado, se posiciona mais distante do ambiente de decisão clínica hospitalar e da fiscalização de suas práticas.

Neste último caso, o médico, muitas vezes ainda em formação, se vê diante de outros desafios, acaba tendo também que racionar o uso de suas ferramentas diagnósticas e terapêuticas disponíveis, e vê sua decisão clínica limitada principalmente pela falta de recursos. Foram muitas as vezes com que convivi com cirurgias sendo postergadas por falta de material, exames sendo postergados por problemas técnicos nos aparelhos sucateados, diagnósticos se tornando tardios e desfechos se tornando desfavoráveis. Fazer mais com menos é o lema neste ambiente.

É verdade, também, que muitas foram as vezes que me vi dotado de um empirismo do qual eu mesmo duvidava ser capaz, ao tomar a decisão de tratar um paciente sem diagnóstico fechado, ou mesmo tratá-lo para duas doenças mais prováveis, não por não saber como fechar o diagnóstico, mas por não ter as ferramentas necessárias ao meu dispor.

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Refletindo quanto a estes dois cenários distintos, podemos realmente considerar a medicina interna como uma arte, e devemos refletir em como melhorar a capacidade do médico em lidar com estes desafios, mantendo uma estrutura hospitalar sustentável e com melhores desfechos para seus pacientes. Portanto, devemos nos perguntar até que ponto cada um destes “interessados” na “política do cuidado” podem se envolver na decisão médica? E o quanto o médico deve estar melhor capacitado para lidar com esta situação.

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