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Você conhece os dramas da residência médica?

250-BANNER5Nos dias 26 e 27 de abril os médicos residentes do Reino Unido resolveram protestar devido uma decisão tomada pelo Ministro da Saúde da Inglaterra. Tudo começou após um decreto do ministério obrigando os residentes a trabalhar também nos finais de semana.

Em resposta, o governo inglês ofereceu 13,5% de aumento no pagamento para quem der mais de um plantão no fim de semana por mês. Já os residentes afirmam que o governo reduziu outros adicionais. Mais um dilema enfrentado foi a carga horária de trabalho, já que o ministro inglês aumentou a mesma em mais de 70 horas semanais, enquanto o ideal são de 60 horas. Todo esse protesto teve grande apoio da classe médica e da população britânica.

Pelo que parece, os dilemas dos residentes ultrapassam fronteiras, chegando até em nações desenvolvidas. Mas a pergunta que fica é: e o Brasil, qual sua relação com essa história? Toda! Já tratamos aqui em nosso blog diferentes problemas que os residentes vivem em seu início de jornada profissional, desde uma remuneração baixa até condições ruins de trabalho.

Para entendermos um pouco mais sobre esse processo conversamos com o Dr. João Zanconato, Presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (AMERERJ) e residente em cardiologia do hospital Pró-Cardíaco. Confira abaixo alguns pontos fundamentais sobre a residência em nosso país, relatados por quem vive de perto a situação:

– Gestão de tempo

“O médico dedica-se quase que exclusivamente ao seu curso de formação. Tal fato acaba fazendo com que sua vida social seja praticamente deixada de lado. Por vezes, abrimos mão do convívio com os familiares, amigos, abandonamos atividades saudáveis como a pratica esportiva e atividades de lazer, para dedicar-se a especialização. Embora a lei da residencia médica afirme que a carga horária deve ser de 60 horas semanais, alguns locais exigem até 100 horas semanais.”
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– Planejamento Financeiro

“O médico residente como qualquer outro profissional tem suas responsabilidade – aluguel, filhos, necessidade de ajudar aos pais, entre outras. Na tentativa de garantir complementação a bolsa de residencia médica, que é um valor extremamente baixo e insuficiente,  acaba por realizar plantões noturnos e aos finais de semana, além daqueles ja previstos pela residência.”

– Condições de trabalho

“A qualidade do seu atendimento e o bem estar do seu paciente está diretamento ligado a disposição dos recursos e a manutenção dos serviços essenciais. Para exemplificar, podemos citar um residente de Cirurgia Geral: se não tiver material básico para realização do ato cirúrgico, como um simples fio de sutura, ele fica impedido de realizar o procedimento. Dessa forma, o residente não realiza o treinamento fundamental para sua formação e o paciente não é submetido ao tratamento indicado. O Treinamento prático é ponto primordial para o aprendizado e construção da carreira profissional.”

– Possíveis soluções

“A valorização do Médico residente, com o cumprimento de seus direitos garantidos por lei associado ao pagamento de uma bolsa de residencia justa. Remunerando de forma adequada, o aluno poderia se dedicar exclusivamente a residencia tornando-se um profissional mais bem capacitado e, consequentemente, realizando um atendimento melhor a população.”

Talvez a maneira mais simples de resolver os problemas estruturais de uma instituição problemática é interferindo nos direitos dos profissionais. Já a solução mais honesta é que um dia os futuros médicos sejam tratados e capacitados de acordo com a relevância do seu trabalho.

E você residente, quais são os seus desafios do dia-a-dia? Você já tem o Whitebook para te ajudar a encarar todos eles? Baixe grátis o aplicativo mais utilizado pelos médicos brasileiros.

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