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Afogamento: Como avaliar e tratar? (Conduta médica em pediatria)

bRecentemente publicamos uma reportagem a respeito dos”Fatores para um desfecho positivo em um afogamento“. Contextualizando esta publicação com nosso conteúdo médico direcionado para decisão clínica, nossa publicação semanal de conteúdos compartilhados do Whitebook Clinical Decision, apresenta: Como avaliar e tratar crianças vítimas de afogamento?
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Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

 

Fisiopatologia: Ocorrem graus variados de insuficiência respiratória e consequente alteração no mecanismo de troca gasosa alvéolo-capilar levando a distúrbios no equilíbrio ácido-básico.

Anamnese:

  • A história do evento deve ficar muito bem definida nessa etapa. Fundamental tentar diferenciar quadros de afogamento com possível lesão traumática associada ou não.
  • Avaliar clinicamente a procura de:
    • Hipotemia;
    • Náuseas e vômitos;
    • Tremores;
    • Cefaleia e mal estar;
    • Cansaço e dores musculares;
    • Sinais de apneia ou até mesmo parada cardiorrespiratória.

Exame Físico:

  • Procurar por sinais de taquidispneia como: aumento da frequência respiratória, tiragem subcostal, BAN, cianose, baixa saturação de hemoglobina.
    Sinais de edema agudo de pulmão devem ser avaliados.
  • Ausculta Pulmonar: O órgão alvo de maior comprometimento no afogamento é o pulmão, portanto, ausculta pulmonar deve ser feita cuidadosamente. Na ausculta pulmonar podemos encontrar estertores de moderada a grave intensidade.
  • Ausculta Cardíaca: A ausculta cardíaca pode ser prejudicada pelo quadro respiratório porém eventualmente podemos encontrar ritmo de galope (B3) e/ou sopros cardíacos.

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O diagnóstico é clínico, normalmente associado a eventos que envolvam banhos de mar ou piscina. Clinicamente, podemos estadiar o afogamento em graus:

  • Resgate ou grau 0: Vítima resgatada ainda no período iminente de afogamento apenas na fase de agitação.
  • Grau 1: Vítima ainda no período inicial do afogamento apresentando apenas discreta aspiração aquosa, sem alteração na ausculta pulmonar e sem sinais de insuficiência respiratória.
  • Grau 2: Vítima com aspiração de leve a moderada quantidade de líquido. Apresenta tosse com pouca espuma, ausculta com presença de estertores, porém sem repercussões hemodinâmicas.
  • Grau 3: Vítima com aspiração de moderada a grande quantidade de líquido. Quadro clínico sugestivo de insuficiência respiratória aguda, devido ao edema agudo de pulmão. Pode apresentar cianose central e periférica, dispneia, tosse com grande quantidade de espuma, estertores de alta intensidade. Apresenta pulso periférico presente.
  • Grau 4: Apresenta mesma clínica da vítima do grau 3, porém com repercussão hemodinâmica e sinais de choque como hipotensão, ausência de pulso periférico, má perfusão capilar.
  • Grau 5: Vítima muito grave já com sinais de parada respiratória, cianose, flacidez muscular. Nesse estágio ainda apresenta pulso central.
  • Grau 6: Vítima em parada cardiorrespiratória, inconsciente, em apneia ou gasping e sem presença de pulsos arteriais centrais.

Solicitar exames complementares:

  • Grau 1: Nenhum.
  • Grau 2: Gasometria arterial e radiografia de tórax.
  • Grau 3 a 6: Gasometria arterial, hemograma completo, eletrólitos, uréia, creatinina, glicemia, elementos anormais no sedimento da urina, radiografia de tórax, e tomografia computadorizada de crânio (se houver alteração no nível de consciência).

Abordagem Terapêutica: Toda vítima de afogamento em piscinas, rios e mar a princípio pode ter alguma lesão traumática associada e o manejo inicial desses paciente deve ser realizado com todo cuidado de estabilização cervical.

  • Nenhuma modificação da sequencia do atendimento ao politraumatizado é necessária, salvo a consideração de lesão na coluna cervical e a possibilidade de hipotermia como fatores de agravamento.
  • Resgate ou grau 0: Vítima liberada no local com orientações como cuidado com correnteza e repouso.
  • Grau 1: Necessita apenas de orientações, cuidados gerais, aquecimento e repouso.
  • Grau 2: Vítima deve receber cuidados médicos e internação hospitalar. Avaliar necessidade de oxigenioterapia, aquecimento e observação hospitalar de 6 a 48 horas.
  • Grau 3: Vítima precisa de internação hospitalar e cuidados intensivos. Oxigenoterapia por máscara, repouso, aquecimento, observação hospitalar de preferência no CTI.
  • Grau 4: Semelhante a abordagem do grau 3, porém necessita de um grau maior de atenção pois pode evoluir rapidamente para os graus 5 e 6.
  • Grau 5: Vítima necessita de transporte imediato para o CTI, com ventilação sob máscara com pressão positiva e avaliação da necessidade de intubação endotraqueal.
  • Grau 6: Utilizar técnicas de reanimação cardiorrespiratória.

Profilaxia:

  • Nunca deixar bebês no banho sozinhos.
  • Mesmo que a criança esteja usando bóias é imprescindível presença de um adulto responsável ao lado.
  • Cuidado extra com correntezas marítimas e mergulhos em lugares que a profundidade não é conhecida.

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Autoria:

  • Dr. Alexandre Nicolau Pinto GalvãoMédico formado pela UFF com residencia médica pelo HCPM. Mestrando da UFF.

 

Referências Bibliográficas:

  • Pediatric Advanced Life Support (PALS). 2015. American Heart Association Guidelines Update for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care.
  • Szpilman D, Newton T, Cabral PMS; Afogamento. In: Trauma, A doença dos Séculos. Editora Atheneu, SP 2001, Cap 163, Vol2, P2247-66.

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