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eCASH: Atualização em Analgesia e Sedação (Conduta Médica em Terapia Intensiva) – Parte 3

bFinalizando nossa análise do eCASH (diretriz de analgesia e sedação centrada no paciente), hoje apresentamos os conceitos do cuidado centrado no paciente e o manejo do sono e mobilização dos mesmos.

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Este conteúdo deve ser utilizado com cautela, e serve como base de consulta. Este conteúdo é destinado a profissionais de saúde. Pessoas que não estejam neste grupo não devem utilizar este conteúdo.

Componentes do cuidado centrado no paciente:

  • Comunicação frequente e apropriada;
  • Explicações de todos os componentes do tratamento;
  • Orientação espacial e temporal;
  • Redução dos ruídos;
  • Evitar restrições desnecessárias;
  • Promover sono durante a noite;
  • Promover atividade física e mobilização precoce;
  • Estimulação mental;
  • Treinamento cognitivo com terapia ocupacional;
  • Participação e presença da família.

 

  • Manejo do Sono:

Como a privação do sono é um importante fator de risco para delirium, e pode até mesmo influir no sistema imune, deve-se tratá-la e controlá-la. Melhorar a qualidade do sono do paciente pode ser considerada como um marcador de qualidade do cuidado. Algumas medidas podem ser realizadas para facilitar o sono no CTI:

  • Manutenção do ciclo sono-vigília habitual do paciente;
  • Reduzir a luz durante a noite;
  • Redução do barulho ambiente;
  • Uso de fones de ouvido e música.

Não se sabe ainda o real valor de analgésicos e sedativos na regulação do padrão do sono dos pacientes.

 

  • Estratégias de Mobilização Precoce:

Uma importante estratégia valorizada pelo eCASH é a capacidade do paciente se envolver em programas de atividade física e estimulação mental precoces, sendo estes fatores de proteção contra agitação, delirium e contra fraqueza muscular adquirida no CTI.

 

  • Comunicação com equipe médica e familiares:

Parte da estratégia do eCASH é influenciar a comunicação entre médicos e pacientes, e familiares e pacientes, o que difere completamente do que se observa comumente nas unidades de terapia intensiva atuais, em que a comunicação dos pacientes é breve e fragmentada, muitas vezes ignorada pela equipe, devido a confusão e complexidade de compreensão.

Aumentar a capacidade do paciente se comunicar, neste contexto, aumenta também a responsabilidade da equipe médica em entender o que o paciente está a dizer, e tentar passar ao próprio os avanços de seu tratamento e a natureza de seu estado atual. Uma boa comunicação foi ligada a menores restrições físicas, a menor ocorrência de agitação e delirium, e, consequentemente, melhores desfechos.

Entre os aspectos a serem reconsiderados, inclui-se a flexibilização dos horários de visita e uma melhor interação entre equipe médica e familiares.

O foco deve ser em intervenções multimodais, algumas das quais foge do conceito do que é considerado tradicionalmente “médico”. A proposta apresenta uma grande quebra de paradigma, visando unicamente o cuidado centrado no paciente. Ainda é um conceito muito inicial que deve ser aprimorado, o eCASH hoje representa um grande desafio, a grande fronteira da terapia intensiva, a capacidade de integrar a equipe multidisciplinar aos familiares e ao próprio paciente em prol do cuidado.

 

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Referências Bibliográficas:

  • Jean-Louis Vincent et al. Comfort and patient-centred care
without excessive sedation: the eCASH concept. Intensive Care Med (2016) 42:962–971. DOI: 10.1007/s00134-016-4297-4.

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