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Handoff: Uma prática para salvar vidas (parte 1)

250-BANNER5Você já se viu na situação onde a informação passada na troca de plantão não era exatamente a que correspondia a situação do paciente? Ou então, algum dado ficou perdido ou mal compreendido? Isto pode ser muito perigoso, na verdade, estima-se que todos os anos milhares de pacientes são expostos a alguma forma de risco, devido a uma informação mal transmitida. Esta má prática não apenas afeta a vida dos pacientes como impacta diretamente nos gastos em saúde. Para reduzir esse efeito desenvolveu-se as técnicas de Handoff.

O Handoff (o equivalente em português a passagem de caso) tem como objetivo reduzir eventos adversos como erros na medicação, atrasos no diagnóstico e tratamento. Através de técnicas básicas, garante-se que a informação transmitida continue relevante e completa.

Comumente, esta prática pode ser aplicada de duas formas: transferência de pacientes (intra ou extra hospitalar) e passagem de plantão/alta hospitalar.

Um clássico exemplo de transferência de pacientes é a aplicação da prática na passagem de um paciente de um centro cirúrgico para uma unidade intensiva. Este tipo de transferência possui altíssimo risco e envolve o transporte desse paciente, associado a múltiplos Handoffs com diferentes profissionais: anestesistas para intensivista, cirurgião para intensivista, enfermeira do centro cirúrgico para enfermeira da unidade intensiva, anestesista para fisioterapeuta e por aí se segue.

As passagens de plantão ocorrem em todos os setores de internação, sendo muito mais crítico quando pensamos em emergência e terapia intensiva. A atenção nos detalhes é fundamental, e qualquer informação que passe desapercebida pode ter consequências que nem sempre serão notadas a tempo, causando um dano ao paciente.

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Pacientes e familiares podem contribuir para auxiliar na boa prática deste cuidado com o paciente. Caso esteja lúcido e colaborativo, o paciente pode perguntar sobre a medicação administrada ou observar a leitura das informações contidas em sua pulseira, bem como perguntas sobre próximos passos no tratamento e resultados de exames complementares.

A prática de Handoff não é uma grande novidade na medicina e vem sendo estudada com intensidade nos últimos anos. E este tema não é somente de interesse dos médicos, como também das agências regulatória, de acreditação e na gestão hospitalar.

A passagem de caso é um evento complexo e não ensinado de maneira regular nas faculdades de medicina. Isto contribui para consequências desastrosas nos cuidados em saúde. Estima-se que Handoff mal executados estão relacionados a 28% dos erros em cirurgia e 20% dos eventos de má prática médica em setores de internação.

Já está comprovado que apenas a transmissão exata não é o suficiente para garantir o sucesso do Handoff. Quando os profissionais se concentram inadequadamente nas informações, isto faz com que a mensagem seja recebida de maneira superficial. Um exemplo clássico é passagem de caso onde não há perguntas da parte receptora. É valido argumentar que trata-se de conhecimento prévio sobre o paciente, entretanto, estudos comprovam que, em pelo menos 20% dos casos, alguma informação clínica importante foi omitida ou corrompida nos Handoffs subsequentes.

Desta maneira podemos perceber que tão importante quanto saber passar um caso é saber recebê-lo.

Falaremos mais sobre a prática do Handoff na segunda parte desse artigo.

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Referências:

  • Michael D Cohen et al. – A handoff is not a telegram: an understanding of the patient is co-constructed
  • Meghan B. Lane-Fall et al. – ICU Attending Handoff Practices
  • Meghan B Lane-Fall et al. – Handoffs and transitions in critical care (HATRICC): protocol for a mixed methods study of operating room to intensive care unit handoffs

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