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A história do doping nos esportes olímpicos

250-BANNER6Em julho, a International Association of Athletics Federations barrou a equipe da Rússia de competir nas Olimpíadas 2016 no Rio de Janeiro, por causa de um programa de doping endossado pelo próprio governo russo. Esse não é o primeiro caso de atletas usando esteroides em competições olímpicas. Veja a história do doping nos esportes olímpicos:

Primeiros relatos

Historiadores encontram relatos já século III a.C. Atletas olímpicos gregos tentaram melhorar seu desempenho usando estimulantes como conhaque, vinho, cogumelos alucinógenos e sementes de gergelim. Em Roma, gladiadores tomaram estimulantes para superar a fadiga e as lesões causadas pelas lutas. Os órgãos de animais e humanos eram ingeridos para melhorar força, vitalidade e coragem. Enquanto trapacear era severamente punido nos primeiros Jogos Olímpicos (uma penalidade era a escravidão), melhorar o desempenho com substâncias não era considerado fraude.

Doping e a medicina moderna

Com a medicina moderna do século 19, estimulantes para melhorar energia, produção e recuperação em competições cresceram em popularidade. Experimentos científicos com os efeitos dos hormônios também começaram a se multiplicar. O “Elixir da Vida”, de Charles-Édouard Brown-Sequard, tornou-se a primeira droga conhecida para melhorar o desempenho no esporte profissional norte-americano. A substância ficou famosa quando o jogador de basebol Pud Galvin ganhou uma partida após ter usado a droga. A mistura consistia de testosterona drenada das gônadas de cães, coelhos, ovelhas, porcos-da-índia e outros animais.

Receitas de doping

No início do século 20, nadadores, corredores de longa distância e ciclistas tinham começado a usar “receitas de doping” especiais para ganhar uma vantagem competitiva contra seus oponentes. Boxeadores ingeriam comprimidos de estricnina e misturas de conhaque e cocaína. Na maratona olímpica de 1904, o treinador de Thomas Hicks administrou duas injeções de sulfato de estricnina, seguido por grandes copos de conhaque, no atleta. Ele venceu a corrida, mas quase perdeu a vida. Misturas de estricnina, heroína, cocaína e cafeína estavam em uso até 1920.

Popularização do doping

O consumo de drogas estimulantes se popularizou. Na 2ª Guerra Mundial, era muito comum o uso de anfetaminas entre os soldados. Durante a guerra, para ajudar a moral, havia equipes de futebol do Exército, partidas de boxe da Marinha e outros eventos esportivos. Os participantes consumiram anfetaminas e descobriram seus efeitos. Quando eles voltaram para casa, as anfetaminas rapidamente tornaram-se integradas em todos os esportes.

Doping na Guerra Fria

Na década de 1950, a equipe olímpica soviética experimentou suplementos de testosterona para aumentar a força. A partir de 1974, a República Democrática Alemã tinha uma política de doping obrigatória para atletas a partir de 10 anos, muitas vezes sem o seu conhecimento. Em 1978, os atletas da Alemanha Oriental em todos os esportes, exceto vela, estavam recebendo esteroides anabolizantes. No entanto, nos Jogos de Verão de 1976 e 1980, nenhum atleta da Alemanha Oriental testou positivo para drogas. Eles ganharam 216 medalhas nessas Olimpíadas, 87 delas de ouro. Estima-se que 10 mil ex-atletas da Alemanha Oriental ficaram marcadas pelo abuso de drogas.

Uso de estimulantes no Ciclismo

Ciclismo desempenhou um papel fundamental na explosão do uso de estimulantes após a Segunda Guerra Mundial. Em 1960, o ciclista dinamarquês Knud Enemark Jensen entrou em colapso durante a competição nos Jogos Olímpicos de Roma e morreu mais tarde no hospital; a autópsia revelou que ele tinha tomado anfetaminas e Ronicol.

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Comercialização de esteroides anabolizantes

De acordo com relatos, o sucesso da equipe de levantamento de peso soviética era devido a testosterona que estava sendo tomada. Para não ficarem para trás, cientistas norte-americanos desenvolveram o methandrostenolone (Dianabol), um esteroide anabolizante, que apareceu no mercado em 1960. Os resultados foram tão impressionantes que o uso de esteroides rapidamente se espalhou para outras modalidades.

Uso de esteroides cresce em popularidade

Pelos Jogos de 1964, a melhora surpreendente na força de muitos atletas era impossível de ignorar. Logo esteroides estavam sendo amplamente utilizado por atletas em todos os esportes. Em meados dos anos 1960, a maioria dos atiradores (tiro, disco, dardo e martelo) estava tomando esteroides. Em 1968, velocistas e corredores de meia-distância também se juntaram a eles. No campo de treinamento pré-olímpico, cerca de um terço de toda a equipe de corrida dos Estados Unidos tinha usado esteroides.

Uso de esteroides no Atletismo

Treinadores e atletas de outros esportes rapidamente chegaram à mesma conclusão: “as drogas funcionam”. Como efeito, entre 1956 e 1972, as estatísticas olímpicas mostraram que o peso dos atletas de arremesso de peso aumentou 14%; dos corredores aumentou 7,6%.

Os testes inicias de drogas

Em 1928, a International Association of Athletics Federations fez a primeira tentativa de banir atletas por doping, mas sem testes de drogas confiáveis, os funcionários tiveram que confiar no sistema de honra, até 1966. Nesse ano, os primeiros testes começaram começaram no Campeonato Europeu de Atletismo. Dois anos depois, o Comitê Olímpico Internacional (COI) introduziu o teste de drogas, tanto nos Jogos Olímpicos de Verão, quanto nos de Inverno. Os esteroides foram proibidos em 1976, depois que um teste confiável foi desenvolvido, e no final de 1970, desqualificações por doping, especialmente em esportes relacionados com resistência, aumentaram acentuadamente. Em 1970 e 1980, no entanto, a notícia do uso de drogas no esporte não recebeu muita atenção da mídia e foi pouco divulgado. A prática ainda não tinha virado um escândalo público. Na década de 1990, isso mudou.

O maior escândalo da história

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1988, o velocista canadense Ben Johnson ganhou a prova de 100m rasos. Mas quando um teste de drogas subsequente encontrou stanozolol em sua urina, ele foi desclassificado e o ouro ficou com o velocista norte-americano Carl Lewis, o vice-campeão. Em 2003, no entanto, foi revelado que Lewis estava entre os atletas que tinham sido reprovados nos testes de drogas em 1988. Ele havia testado positivo para estimulantes e broncodilatadores e deveria ter sido desclassificado. Mas em 2003, os testes foram revistos, e a quantidade de drogas encontrada em Lewis em 1988, não teria desencadeado um teste positivo em 2003. Por isso, ele foi autorizado a manter seu título.

Tour de France

O Tour de France, a corrida mais antiga e prestigiada no ciclismo, foi palco de muitos escândalos desde que os testes de drogas foram introduzidos. Em 1998, por exemplo, um carro cheio de substâncias de doping pertencentes a equipe francesa foi encontrado antes da corrida. Todos os nove atletas confessaram ter usado eritropoetina (EPO). A investigação sistêmica das equipes fez com que muitos se retirassem da competição. O norte-americano Floyd Landis ganhou o Tour de France de 2006, mas perdeu o título porque sua urina testou positivo para testosterona sintética proibida. Outro americano, Lance Armstrong, foi número 1 do mundo em 1996. Em 2005, depois de vencer seu sétimo Tour de France, ele foi acusado de doping. Em 2012, ele perdeu todos os seus títulos do Tour de France desde 1998. No ano seguinte, Armstrong admitiu o doping na TV.

O doping atualmente

O uso de drogas em atletas de elite não é apenas comum, como também generalizado. Em um relatório da Comissão do Ciclismo Americana, um especialista estimou que 90% dos ciclistas profissionais tomam drogas que melhoram o desempenho. Também em 2015, um relatório encomendado pela Agência Mundial Anti-Doping indicou uma “cultura profundamente enraizada de trapaça em todos os níveis” no esporte russo. Em março de 2016, a tenista russa Maria Sharapova admitiu reprovar um teste de drogas. Ela foi pega usando Meldonium, utilizado para tratar a isquemia, mas também para melhorar a resistência. Ela foi suspensa por 2 anos.

Os russos nas Olimpíadas de 2016

No final de julho, menos de 2 semanas antes do início dos Jogos no Rio, o COI decidiu contra a restrição da Rússia, apesar da confirmação de doping pela Agência Mundial Anti-Doping. Ao invés disso, o COI deixou a decisão na mão de 28 federações individuais que governam cada esporte. Muitas federações, entre elas a ginástica e tênis, já declararam que os atletas russos devem ser autorizados a competir.

Um prognóstico pessimista

Sobre a legislação relacionada ao controle de esteroides anabolizantes e abuso de hormônio de crescimento por atletas, especialistas afirmam que o prognóstico não é muito bom: testes de drogas são repletos de lacunas, há muito dinheiro em jogo e os fãs dos esportes não se importam com o problema.

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