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Pesquisa revela opinião dos médicos sobre questões polêmicas

250-BANNER3Poucas profissões invocam um conjunto tão abrangente de questões éticas como a medicina. Os médicos de hoje estão sob uma enorme pressão para controlar os custos, mantendo a qualidade, a produtividade e utilizando novas tecnologias. Uma pesquisa americana sobre ética entrevistou mais de 21 mil médicos, de 25 especialidades, que compartilharam seus pensamentos e experiências sobre questões preocupantes como:

  • Suicídio assistido;
  • Tratamento “fútil”;
  • Alocação de recursos médicos escassos com base na idade do paciente;
  • Prescrição de placebo;
  • Romance com pacientes;
  • Esconder ou não um erro prejudicial;

Os médicos estão tomando decisões em um cenário social que está mudando. Desafios de saúde relacionados com comportamento do paciente, como obesidade, são mais prevalentes. O envelhecimento da população e a pressão para conter custos estão forçando os profissionais a se afastarem do papel exclusivo de “defensores” dos pacientes e assumirem o manto de “administradores” da sociedade. Os médicos estão se sentindo pressionados, o que pode afetar sua decisão.

Suicídio assistido

Os médicos, assim como grande parte da população, estão profundamente divididos sobre essa questão. Na pesquisa americana, 54% dos profissionais afirmaram ser a favor do suicídio assistido e o direito a uma morte digna diante de uma doença incurável. Ainda assim, 31% disseram que o suicídio assistido é inaceitável, pois viola o juramento de Hipócrates.

Tratamento “fútil”

Você recomendaria uma terapia para um paciente, mesmo acreditando que não faria diferença? Para os médicos, “fútil”é uma palavra em preto-e-branco, que muitas vezes não se encaixa na prática da medicina, mas “compaixão” sim. Quase dois terços dos médicos dos entrevistados afirmaram que forneceriam terapia de suporte de vida em uma situação fútil (19%), ou que forneceriam (46%) dependendo das circunstâncias atenuantes.

Nas respostas, muitos médicos levantaram a ideia de que “inútil” é um termo relativo e essa prestação de cuidados pode beneficiar os pacientes e suas famílias. Por exemplo, se o paciente vive mais alguns meses e a família pode interagir com ele de uma forma positiva, então o tratamento não foi irrelevante.

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Alocação de recursos médicos escassos com base na idade do paciente

Preocupações sobre a discriminação baseada na idade permanecem. Confrontados com uma questão teórica “você alocaria recursos para um paciente mais jovem em vez de um mais velho?”, cerca de 38% dos médicos respondeu não, 26% disseram que sim, e ainda mais 36% afirmaram que depende da situação. Os médicos mais jovens (com idade entre 28 e 34 anos) foram os mais propensos a responder sim (32%) ou depende (37%), enquanto os mais velhos (com idade ≥ 70 anos) foram os menos propensos a responder sim (22%) ou depende (34%).

Nos comentários, muitos médicos escreveram que a idade é um fator determinante no quão bem um paciente tolerará e responderá a um tratamento e, portanto, uma consideração terapêutica válida. Para os pesquisadores, as respostas são uma indicação de que os médicos – especialmente os que entraram recentemente no campo – estão saindo de um modelo de defesa (“eu ajudo meus pacientes a conseguirem o que querem sem consideração pela sociedade”) e passando para um modelo de administração (“eu tenho que considerar as necessidades da sociedade”).

Prescrição de placebo

Você prescreveria placebo a um paciente que não precisa de tratamento, mas é inflexível sobre receber? Muitos médicos afirmaram que estariam dispostos a prescrever um placebo, se o paciente insistisse muito nos cuidados. Nos casos dos profissionais que trabalham em emergências, passar tempo discutindo com pacientes inflexíveis pode ser prejudicial para os outros que estão à espera de atendimento.

Romance com pacientes

Nos últimos anos, as atitudes dos médicos em relação a romance com pacientes tem relaxado um pouco. Em uma pesquisa americana feita em 2010, apenas 1% dos médicos respondeu que seria aceitável se envolver com um paciente, embora outros 12% aceitaria um romance 6 meses ou 1 ano após o indivíduo deixar de ser um paciente.

Veja também: Pesquisa revela qual especialidade tem os médicos mais bonitos

Nessa última pesquisa, a porcentagem de médicos que aceitariam se envolver com um paciente 6 meses ou 1 ano depois da consulta subiu para 22%; a porcentagem de “não é aceitável” caiu 15 pontos.

Esconder ou não um erro prejudicial

Quando se trata de assumir um erro prejudicial que afetaria um paciente, 91% dos médicos dizem que honestidade é a única política. Apesar desse consenso quase unânime, 6% dos entrevistados dizem que há ou poderia haver situações em que seria aceitável encobrir ou deixar de divulgar um erro.

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Referências:

  • Life-and-Death Decisions That Keep Doctors Up at Night. Medscape. Dec 16, 2014.

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