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Infecções secundárias matam mais em pacientes com sepse?

Infecção secundária é, por definição, uma tipo de infecção que se instala em um paciente quando o mesmo está debilitado e em tratamento por uma infecção mais antiga (primária). Este cenário é relativamente comum em pacientes graves, internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), e que, em geral, estão com algum comprometimento do sistema imunológico.

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Pacientes com sepse e que, em geral, estão internados em UTI, apresentam como característica desta síndrome uma intensa resposta inflamatória que conduz a um período relativo de imunossupressão e mortalidade tardia, relacionada à mortalidade por infecções secundárias.

Um estudo observacional, comandado por pesquisadores holandeses, avaliou a incidência e os fatores de risco para infecção secundária em pacientes com sepse.

Foram analisados 3.640 admissões em UTI, dos quais 1.719 tinham sepse. A incidência de infecção secundária foi de 13,5% em pacientes sépticos contra 15,1% em pacientes admitidos por outros motivos não infecciosos. A diferença estimada na mortalidade em 60 dias foi de 2% em pacientes com sepse vs sepse com infecção secundária, e 2,8% para pacientes com outros diagnósticos de admissão não infecciosos vs outros diagnósticos de admissão não infecciosos com infecção secundária.

Pacientes com sepse que desenvolveram infecção secundária eram mais graves na admissão e mais prováveis de evoluir para acesso venoso central e ventilação mecânica. Os achados do estudo demonstraram taxas similares de infecção secundária e mortalidade associada em pacientes com sepse ou não, na admissão da UTI, o que apontou que o fato de ser admitido com sepse não foi um fator determinante para desenvolver infecção secundária. Entretanto, os autores ressaltaram no estudo que haviam diferenças marcadas entre as duas populações de pacientes, o que tornou a comparação difícil.

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O estudo concluí ainda que, apesar de a sepse ser um fator determinante para imunossupressão, outras causas de admissão em UTI são tão importantes para o desenvolvimento de infecções secundárias.

Sabemos que hoje a sepse é um tema estudado amplamente, e que as condutas estão cada vez mais precisas, eficazes e otimizadas, reduzindo o tempo de ação com maior impacto em mortalidade.

A adoção destes protocolos de tratamento poderiam influenciar diretamente a menor chance de evolução para infecções secundárias quando comparada à outras causas de internação em UTI, não infecciosas, e que, em geral, são muito graves e talvez não tão bem protocoladas em condutas. O desafio do tratamento do paciente grave, com aplicação de condutas pautadas em grandes estudo, persiste como um desafio no dia a dia de todos os profissionais de terapia intensiva.

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Referências Bibliográficas:

  • Lonneke A. van Vught, MD et al. Incidence, Risk Factors, and Attributable Mortality of Secondary Infections in the Intensive Care Unit After Admission for Sepsis. JAMA. 2016;315(14):1469-1479. doi:10.1001/jama.2016.2691.

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