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Usar antibiótico por menos tempo é melhor para as crianças

Com a crescente resistência bacteriana aos antibióticos altamente usados nas diversas infecções, há a necessidade de saber quando sua utilização realmente é necessária, além de determinar o tempo adequado para uso intravenoso ou oral.

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Pensando nisso, um grupo de pesquisadores australianos foi buscar, em diversas bases de dados, estudos sobre a duração de antibióticos intravenosos para crianças, assim como o momento ideal de trocar tais medicamentos pelos correspondentes na apresentação oral.

Concluíram que há poucos bons trabalhos publicados sobre o assunto: de 4.090 artigos identificados, apenas 170 apresentavam os critérios para serem incluídos numa revisão sistemática sobre a duração da antibioticoterapia e o tempo para trocar a via venosa pela oral, a fim de tratar 36 infecções presentes em crianças menores de 18 anos, tanto em ambiente hospitalar quanto na comunidade.

A partir desse estudo, que foi publicado no The Lancet Infectious Diseases em agosto de 2016, verificaram que é possível diminuir o tempo de internação hospitalar ao fazer o descalonamento do tratamento venoso para oral, havendo importante impacto na vida das crianças e de seus familiares, assim como na disponibilidade de leitos hospitalares.

Compararam cursos de antibioticoterapia mais curtos com os tradicionais de maior duração: em muitas infecções, em especial naquelas em que há melhora clínica rápida, parece que longos cursos de antibiótico venoso são desnecessários. Há pouca evidência da real necessidade de uso prolongado dos fármacos, ao mesmo tempo em que tal uso está ligado à maior resistência antimicrobiana. Assim, aconselham pesar os custos em relação aos benefícios, principalmente se esses benefícios não são comprovados.

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Os autores orientam seguir alguns princípios para guiar a troca do antibiótico venoso para oral:

Quadro clínico: quando estiver clinicamente estável, sem sepse grave (a febre por si só não precisa impedir a troca).

Capacidade para absorver antibióticos orais: quando o paciente é capaz de tolerar medicação oral, não havendo vômitos; quando não há algum quadro que impeça ou reduza a absorção; quando tiver mais de 28 dias de vida.

Disponibilidade de antibiótico oral adequado: se houver antibiótico que trate o agente infeccioso identificado ou esperado; se houver antibiótico disponível na formulação pediátrica adequada ou palatável; se houver antibiótico que haja boa penetração nos tecidos afetados.

Questões práticas: se a família concorda com o plano terapêutico e se há boa adesão ao tratamento.

O artigo oferece uma tabela com a duração mínima de antibiótico intravenoso, o critério de troca para a apresentação oral, e o tempo mínimo total de tratamento antibiótico para cada uma das 36 infecções destacadas nessa revisão, sendo bastante interesse para ajudar na tomada de decisão.

Veja o artigo completo aqui.

Autor:

anapomodoro

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