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Em 5 anos veremos médicos atrás do volante de um Uber?

A jornada para se tornar médico exige muito tempo de estudo e dedicação. Por vezes, passamos noites em claro e finais de semana dentro do hospital, onde a sexta parece emendar na segunda-feira. Ao longo dos seis anos de faculdade e milhares de horas curriculares nos tornamos frios e alheios ao que acontece no mundo lá fora.

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Nos transformamos em grandes médicos capazes de proezas como puncionar uma veia profunda às cegas, no entanto, inaptos para tarefas básicas igualmente importantes para qualquer profissional. Noções básicas de administração, finanças, gestão de consultório, marketing pessoal e empreendedorismo são negligenciadas durante a formação do médico. Isso me leva a crer que a grade curricular se aproxima daquela de um curso técnico, onde o que vale é apenas a técnica médica e nada mais.

Por isso, normalmente, médicos são péssimos gestores. Aqueles que correm por fora e estudam por conta própria se destacam. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Já a grande maioria se limita a copiar as viciadas práticas do mercado em suas clínicas e consultórios, sem qualquer embasamento. Esse é um dos motivos pelos quais os planos de saúde ocuparam esse espaço de gestores do sistema privado. Executivos engravatados dos planos e hospitais operam com grandes margens de lucro, enquanto fazemos malabarismos em diversos empregos para compensar o encolhimento progressivo dos honorários médicos. Não somos preparados para concorrer no mercado de trabalho.

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Tamanha doação à profissão aos poucos nos afasta daquele hobby antigo, de um esporte que adoramos ou dos livros (vale frisar: aqui não contam os livros médicos). Cada vez mais o médico é um bitolado, um extraterrestre. “Atentado em Paris? Jura? Quando? Não fiquei sabendo.

Pessoalmente, acho os jantares de turma um tédio. Os assuntos se repetem ano após ano e via de regra dizem respeito à medicina. Se há mais de três médicos numa mesa, provavelmente a conversa será monotemática. Pode ficar ainda pior se forem todos da mesma especialidade!

Não quero parecer um desses velhos saudosistas que insistem que em sua época as coisas eram diferentes, faziam de tudo com um pé nas costas, de parto à neurocirurgia e eram muito melhores do que as gerações que vieram depois, inclusive em cultura geral.

A verdade é que muita coisa mudou e a formação não acompanhou essas mudanças. O retorno financeiro não é o mesmo de outrora. A reserva de mercado também já não é tão forte. A qualidade dos cursos de medicina cai de forma inversamente proporcional ao surgimento de novas escolas. Concorrência se acirra e o número de leitos hospitalares estagnado. Honorários despencam e taxas de burnout disparam. Não me surpreenderia daqui a poucos anos ver médicos formados dirigindo Uber.

Quem é bom sempre terá espaço garantido, como é em qualquer profissão. Mas a ultraespecialização cada vez mais precoce e dedicação em tempo integral preocupam. Talvez devêssemos considerar dar um passo atrás. Incentivar o aluno a ler mais, tocar um instrumento, praticar esportes e estudar outros temas não relacionados a medicina. Aquisição de habilidades em áreas diversas irão ajudá-los não apenas na sua carreira profissional, como também na vida lá fora.

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Autor:

Joaopedrocorrea

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