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Como eu trato? Curso de atualização em condutas pediátricas em Dermatologia

O departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ realizou, em julho desse ano, o simpósio “Como eu trato?”. O objetivo foi abordar as diversas subespecialidades pediátricas, apresentando quadros clínicos e a abordagem prática, demonstrando as condutas realizadas.

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Já falamos sobre os casos apresentados de Alergia/Imunologia, vamos continuar nosso especial com Dermatologia.

  • 1º quadro clínico

O primeiro quadro clínico falava de uma criança de 10 anos com nódulo na pálpebra inferior direita e bochecha do mesmo lado. Foram feitas duas doses de Penicilina G benzatina e uso de Cefalexina ambulatorialmente sem melhora.

O diagnóstico foi fechado como Esporotricose, o nódulo característico é parecido com abscesso com saída de secreção que pode acompanhar o caminho linfático.

O quadro clínico foi focado no tratamento que, como primeira escolha, deve ser feito com Itraconazol 3-5 mg/kg/dia (podendo chegar 6 a 10 mg 12/12h, em maiores de 10 anos 100 a 200 mg/dia com dose máxima de 400mg). Uma alternativa mais barata proposta foi de uma solução saturada de iodeto de K 1,42g/ml (uma gota equivale 0,07g). A dose varia de 1,4 a 5,25g com duração entre 3 a 4 meses de tratamento.

Os pacientes devem ser encaminhados para locais com centro de excelência que aqui no Rio de Janeiro são o IPPMG (UFRJ) e a FIOCRUZ. Os casos não são de notificação compulsória, mas idealmente deveriam ser notificados ao centro de controle de Zoonoses do município ou a Secretaria de Saúde.

  • 2º quadro clínico

O segundo quadro clínico apresentou um recém-nascido com tumoração vinhosa em hemiface de crescimento rápido. O diagnóstico foi de Hemangioma infantil tipo segmentar em fase de proliferação rápida.

A discussão girou em torno do tratamento proposto com propranolol via oral, obtendo resolução completa do quadro. Foram apresentadas evidências de melhor ação do propranolol quando comparado com corticoide e placebo.

O seu início deve ser o mais rápido possível pois ele inibe o crescimento, induz vasoconstricção e regressão, estimula apoptose e diminui a expressão do fator de crescimento do endotélio e expressão dos fibroblastos.

A avaliação inicial do quadro deve passar por uma anamnese e exame físico com atenção para a parte cardiopulmonar com aferição da pressão arterial. O Ecg deve ser solicitado caso tenha alteração na frequência cardíaca ou pais com doenças do tecido conjuntivo.

O tratamento deve ser iniciado com o paciente internado em menores de 8 semanas de idade, prétermos com <48 semanas de idade gestacional corrigida, lactente sem suporte domiciliar(internação social), presença de comorbidades, alterações na glicemia.

A dose preconizada é de 1 a 3 mg/kg/dia em 2 a 3 doses junto com as mamadas. Iniciar 0,5 a 1mg/kg/dia e ir aumentando progressivamente a dose. As principais complicações são hipoglicemia, diarreia, sono agitado e extremidades frias.

  • 3º quadro clínico

O terceiro quadro clínico foi de um lactente de 40 dias de vida com “rash” em região malar com descamação de pavilhão auricular, asa do nariz e boca. O diagnóstico foi de Dermatite Seborreica.

A dinâmica foi voltada para o tratamento proposto com sabonete líquido de piritionato de zinco 1-2 vezes ao dia e com gel creme contendo ciclopirox olamina 2 vezes ao dia. Segundo a palestrante não há diferença entre corticoide tópico de baixa potência e antifúngico tópico, porém o uso de corticoide em face é restrito aos de baixa potência(VII hidrocortisona e dexametasona) uma vez ao dia, no máximo uma semana.

A lavagem frequente e o uso de emolientes no couro cabeludo aceleram a resolução do quadro. Como pode ocorrer recidiva o uso de cremes antifúngicos deve ser preferido aos corticoesteroides.

  • 4º quadro clínico

O quarto quadro clínico foi de uma criança com lesões em couro cabeludo com edema, eritema, exsudativas, crostas hemáticas com áreas de alopécia. O diagnóstico foi de Tínea Capitis Kerion Celsi.

A discussão foi o tratamento que deve sempre ser feito de maneira sistêmica tendo como primeira escolha a Griseofulvina 20 a 25 mg/kg/dia(dose máx 1g/dia), por 6 a 12 semanas administrada uma vez ao dia, junto com alimento gorduroso, só utilizar em maiores de 2 anos.

Como segundo escolha de uso mais raro e secundário temos a Terbinafina 10-20kg 62,5mg/dia, 20-40kg 125mg/dia, >40kg 250mg/dia, longe das refeições. Como orientações gerais foram destacadas:

1 – Avaliar função hepática antes do tratamento e caso ultrapasse 6 semanas
2 – Nunca usar cetoconazol em tratamento prolongado
3 – Em crianças pequenas utilizar o creme muito mais como prevenção
4 – Shampoo antifúngico diminui a transmissão da doença
5 – Não compartilhar adornos, escovas, pentes, bonés
6 – Não dividir a cama e evitar contato corporal
7 – Examinar cuidadosamente os animais de estimação
8 – O afastamento da escola é questionável a palestrante não afasta
9 – O controle de cura é clínico

Amanhã continuaremos com nosso especial, mostrando os quadros clínicos apresentados para Gastroenterologia.

Autor:

alexandregalvao

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