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Médicos devem continuar atendendo mesmo estando cansados?

Paciente chega de madrugada ao hospital com dores e falta de ar. Ele preenche a ficha e aguarda ser atendido. Depois de muita espera, ele conversa com a enfermeira, que diz o médico de plantão está dormindo. Irritado, ele corre até o profissional e joga um balde de água nele. À polícia, o paciente afirma que “o profissional da unidade deveria ter continuado atendendo, apesar do cansaço”. Você concorda?

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A história acima é real e aconteceu na semana passada, em um hospital público de Mongaguá, no litoral de São Paulo. O médico em questão revidou a agressão, alegando que estava apenas se defendendo. A culpa é do médico que estava dormindo durante o expediente? É do paciente que não teve paciência?

“Esta é uma questão muito polêmica e particular. A pergunta que devemos fazer é por que o médico estava cansado? Em que condições ele tem trabalhado? O foco sempre é o fato de ser o expediente do médico, e que, portanto, ele deveria estar trabalhando. Porém não se discute a demanda de trabalho e se a mesma está adequada para o profissional”, opina Dr. Eduardo Moura, médico do CTI do hospital Caxias D’Or, Diretor de Produto e Co-fundador da PEBmed

A saúde pública no Brasil enfrenta uma de suas maiores crises. Tanto a população quanto os profissionais sofrem as consequências desse problema, que não tem previsão de melhora. Como o médico pode oferecer o melhor tratamento para seus pacientes, quando a carga de horária é abusiva e os recursos escassos?

“Se por um lado temos que cobrar do médico que ele cumpra seu horário de trabalho, por outro deve-se ter uma preocupação em melhorar as condições deste trabalho. O cansaço durante o expediente é um sintoma de que o mesmo está sobrecarregado. Não deveriam haver mais médicos nessa unidade para suprir este trabalho?” – questiona Dr. Eduardo.

Veja também: ‘A saúde mental dos médicos Residentes e suas consequências no dia a dia’

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Os médicos estão cansados. Um estudo recente com 1.600 médicos no Brasil revelou um número assustador: mais da metade dos profissionais estão deprimidos (25%) ou exaustos emocionalmente (40%). A grande maioria dos entrevistados trabalha no serviço público de saúde.

“É fato que as unidades públicas de saúde funcionam muito abaixo do recomendado em relação a demanda de trabalho e quantidade de insumos e pessoas. Isso tudo gera um desgaste no profissional, o leva a exaustão. E diante da exaustão atitudes como estas são tomadas”, explica Dr. Eduardo.

O burnout, também conhecido como síndrome do esgotamento profissional, é uma síndrome que afeta milhões de trabalhadores ao redor do mundo. Segundo uma pesquisa do Archives of Internal Medicine, publicada em 2012, os médicos sofrem mais com burnout do que qualquer outro trabalhador.

“Em vez de encarar o problema como sendo culpa do médico ou culpa do paciente pela invasão e falta de respeito com o profissional, devíamos encarar o problema como sendo macro do sistema, que produz esse tipo de profissional e esse tipo de paciente” – finaliza o médico.

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