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Quando 99% do nosso esforço é direcionado a apenas 1% dos nossos pacientes

Pode parecer até heresia, mas ouso dizer que o modo como praticamos a Medicina hoje em dia será visto, em um futuro não muito distante, como completamente inadequado e anti-ético. Repare bem, médicos gastam 99% da sua energia com o paciente que está na sua frente, seja em consulta no consultório, seja em cirurgia ou em algum outro tipo de procedimento. Da mesma forma, hospitais gastam 99% da sua energia com o paciente que está internado.

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Chega a ser até engraçado. O paciente pode ser levado em cadeira de rodas até a porta de saída, para evitar quedas, mas assim que ele cruza a porta, aquele paciente não existe mais para o hospital. A sair do hospital ou do consultório, ele nunca mais receberá qualquer tipo de contato daquele médico ou instituição. Para isso, só se agendar uma nova consulta ou internar novamente. Até lá, meu amigo paciente, você estará a ver navios.

Por séculos, a Medicina tem sido reativa. Médicos não procuram pacientes. Médicos são procurados por seus pacientes. E ser procurado fazia parte do jogo, aumentava a importância do médico. Quando cursei semiologia, em 1996, o professor orientava a manter nossa cadeira mais alta que a do paciente, para mostrar quem é quem. A relação médico-paciente é uma das poucas ainda existentes em que o prestador manda e o cliente obedece. Certamente, não por muito mais tempo…

O mundo está mudando rapidamente. Clientes estão melhores informadas e mais empoderados. A sociedade espera eficiência e resolução rápida dos seus problemas, de preferência sem deslocamentos. E ela espera “presença”. Há muito, os bancos já descobriram isso, com seus bancos 30 horas, com sua presença em múltiplos canais. E não será diferente com a Medicina. Cada vez mais, a sociedade exigirá a presença de seus prestadores de serviço em saúde. Quem não estiver disponível, certamente perderá em preferência. Presença será o novo fator de diferenciação.

Por séculos, saúde era algo que ocupava a mente e os corações das pessoas apenas quando havia algum sintoma. Sintoma era igual à doença e saúde era igual à ausência de sintomas. Não por acaso, portanto, que a Medicina evoluiu para resolver sintomas. No entanto, cada vez mais as pessoas enxergam saúde como algo muito maior. A saúde está no dia a dia, na alimentação, na atividade física, nos exames preventivos, na contagem do número de passos por dia, na monitorização da frequência cardíaca de repouso. Médicos e outros profissionais de saúde precisam ocupar esse espaço e reinventar o modelo de negócios em saúde. Não mais é aceitável que a interação médico-paciente ocorra apenas no consultório. “Em caso de necessidade, agende uma nova consulta ou procure uma emergência” não será mais uma recomendação aceitável. Será até mesmo antiética! Será dever dos prestadores monitorar continuamente os seus pacientes.

Mas como e quando isso irá acontecer? Tudo depende apenas do avanço tecnológico. Uma vez existindo a tecnologia que permita o relacionamento continuado e semi-automatizado entre médicos e pacientes, isso passará a ser mandatório. Antes de existir cinto de segurança, airbags e freios ABS, nada disso era obrigatório. Mas uma vez disponível, foi apenas uma questão de tempo para que todos os clientes tivessem acesso aos equipamentos e medidas de segurança adequados. E não será diferente com a segurança do paciente. Pacientes e famílias soltos, que gerenciam sua própria saúde, sem qualquer tipo de orientação, acompanhamento ou seguimento, logo será uma coisa do passado. A tecnologia está chegando rápido. Resta a nós saber como fazer o melhor uso dela para garantir os melhores desfechos e a maior segurança clínica dos nossos pacientes.

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Quadro: O Medicinia aproxima prestadores e pacientes

O Medicinia é uma plataforma de conectividade e mobilidade utilizada por hospitais para otimizar seu relacionamento com médicos e pacientes e aumentar a eficiência de processos. No Hcor, por exemplo, os médicos da emergência são avisados via Medicinia cada vez que um paciente tem um resultado de exame crítico ou cada vez que um exame de imagem foi retificado pela radiologia. Isso agiliza a identificação de situações de risco e possibilita o pronto ajuste do tratamento, à medida que novas informações se tornam disponíveis. No Hospital São Cristóvão, o Medicinia é utilizado para otimizar o processo de liberação de leitos. O que antes levava em média 6 horas, agora acontece em apenas 2h10min, graças ao sistema de distribuição e controle de tarefas entre as diversas áreas do hospital feito pelo Medicinia. No Hospital Mãe de Deus, médicos recebem informações de agenda do bloco cirúrgico em tempo real, sabendo exatamente como anda o processo de liberação de salas para as suas cirurgias. Na Beneficência Portuguesa de São Paulo, médicos recebem atualizações em tempo real sobre os seus pacientes através do próprio app Medicinia BPSP para médicos. E pacientes recebem atualizações através da app Medicinia BPSP para pacientes. E em todo Brasil, mais de 4.000 médicos já utilizam o Medicinia para gerenciar o relacionamento com os seus pacientes de consultório, aumentando fidelização da base de pacientes e otimizando engajamento no tratamento e resolutividade clínica.

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Autor:

danielbranco

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