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10 fatos que você precisa saber sobre o controle glicêmico intra-hospitalar

Publicação recente do The American Journal of Medicine pontuou os 10 fatos fundamentais sobre o controle glicêmico intra-hospitalar. Resumimos abaixo a publicação e seus pontos de destaque:

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1. Existem diretrizes específicas para o manejo da hiperglicemia intra-hospitalar

A American Diabetes Association publicou, em 2009, um consenso para o controle glicêmico, indicando, entre outras condutas, a insulinoterapia como o método de escolha no controle glicêmico intra-hospitalar. Insulinoterapia endovenosa deve ser preferencial utilizada em ambiente de terapia intensiva, e subcutânea nos demais setores de internação.

2. Alvos glicêmicos variam de acordo com o paciente

No paciente grave, em uso de insulina venosa, a glicemia alvo deve ser de 140 a 180 mg/dL, e deve-se evitar glicemia abaixo de 110 mg/dL. Para pacientes menos graves, o controle glicêmico visa uma glicemia pré-prandial < 140 mg/dL e ocasional < 180 mg/dL.

3. Hiperglicemia hospitalar é melhor controlada por insulina

Antidiabéticos orais costumam ser ineficazes no controle glicêmico intra-hospitalar, e, portanto, seu uso deve ser desencorajado neste contexto. O tratamento de escolha deve ser a insulina e sua dose deve ser titulada seguindo protocolos de ajuste.

4. Deve-se prevenir a hipoglicemia

A hipoglicemia é um importante fator de risco de complicações e mortalidade intra-hospitalares, principalmente ao se tratar de idosos e pacientes criticamente enfermos. Hipoglicemia é definida com glicemia < 70 mg/dL. Para evitá-la, deve-se tolerar níveis mais altos de glicemia (em geral em torno de < 110 mg/DL) para justificar a suspensão da insulinoterapia.

5. Monitorização glicêmica deve variar com necessidade dietética

Atualmente, recomenda-se a monitorização por HGT antes de cada refeição e ao dormir em pacientes que estão se alimentando normalmente. Naqueles que não estão se alimentando por via oral, recomenda-se o teste de 4-4 ou de 6-6 horas. Pacientes em uso de insulinoterapia endovenosa podem necessitar de medidas mais frequentes.

6. Tratamento da hiperglicemia intra-hospitalar é custo-efetivo

Diversos estudos têm apontado o benefício do controle glicêmico no desfecho de quadros agudos, em menor tempo de internação, menor mortalidade e menor taxa de complicações em pós-operatório, diminuindo o custo dos serviços de saúde.

7. A transição do controle intra-hospitalar para o controle extra-hospitalar é fundamental

A abordagem multidisciplinar do paciente internado visando melhor aderência terapêutica é fundamental na prevenção de complicações da doença e em menor índice de reinternação. Deve-se encarar a internação hospitalar como uma oportunidade de orientação do paciente e de maior comprometimento do mesmo com sua saúde e controle glicêmico. Vale destacar que é recomendado um seguimento de um mês após a internação de todo paciente com hiperglicemia intra-hospitalar, seja diagnosticado previamente com diabetes ou não.

8. Situações clínicas especiais demandam medidas específicas

Pacientes que utilizam bomba de insulina devem estar autorizados a seguir seu manejo em ambiente hospitalar, desde que se mantenham capazes fisicamente e mentalmente de seguir com o controle. Neste contexto, a equipe de enfermagem, no entanto, deve manter o monitoramento das medidas junto ao paciente.

Paciente em uso de glicocorticoides devem manter o esquema de insulina em bolus e basal e podem necessitar de aumento da dose durante o tratamento. Da mesma maneira, no desmame do glicocorticoide, deve-se atentar para a diminuição da dose de insulina para evitar hipoglicemia.

9. Pacientes com hiperglicemia mantida respondem melhor a um esquema basal + bolus

O esquema de insulina basal + bolus tenta mimetizar a ação pancreática na secreção de insulina endógena e, por ser mais fisiológico, demonstrou melhores resultados no controle glicêmico sem um acréscimo no risco de hipoglicemia, quando comparado ao esquema de insulina apenas em bolus após medição de hiperglicemia aguda.

10. Cálculo da dose diária total é segura para o início de tratamento em pacientes virgens de insulina

A dose inicial de 0,3-0,6 U/kg de peso mostrou-se segura para iniciar o tratamento de pacientes virgens de insulinoterapia. Doses menores podem ser consideradas em pacientes com insuficiência renal e pacientes emagrecidos, assim como doses maiores podem ser consideradas em obesos e pacientes em uso de glicocorticoides. Metade desta dose deve ser administrada como basal e a outra metade dividida em 3 aplicações de bolus pré-prandial.

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Referências Bibliográficas

  • William B. Horton, MD,a Jose S. Subauste, MD. Top 10 Facts to Know About Inpatient Glycemic Control. The American Journal of Medicine (2016) 129, 139-142

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