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Mitos, verdades e a discussão sobre o bebê com DNA de 3 pessoas

Na última semana, cientistas divulgaram o nascimento de um bebê saudável, que nasceu livre da doença mitocondrial da mãe. Como isso aconteceu? Através de uma técnica para gerar fetos com o DNA de três pessoas, chamada de tecnologia de manipulação mitocondrial.

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A técnica consiste em utilizar o espermatozoide do pai, o óvulo da mãe e a mitocôndria de uma doadora. Médicos extraíram a mitocôndria do óvulo da mãe e a substituíram pela mitocôndria saudável de outra mulher. Depois, o óvulo foi fecundado pelo esperma do pai no laboratório e implantado na mãe.

O termo “bebê de três pais” é enganoso

Enquanto a mídia anunciou que “um bebê de três pais” tinha nascido, os fatos científicos mostram que essa afirmação não é nem um pouco precisa. As mitocôndrias não definem quem você é, porque elas não carregam os genes para características.

Duas abordagens são possíveis

A técnica pode ter duas abordagens diferentes. Em uma delas, conhecida como transferência pronuclear, o esperma do pai é utilizado para fertilizar dois óvulos in vitro, um da mãe e outro de um doador. O núcleo do óvulo fertilizado da mãe é substituído pelo do doador. Este processo cria dois óvulos e, normalmente, um deles é destruído.

A segunda abordagem, que foi utilizada no presente caso, é chamado de transferência nuclear do fuso. Trata-se de transferência do núcleo da mãe para o doador enucleado. O óvulo é então fertilizado com o esperma do pai.

Em 2001, pesquisadores americanos substituíram o citoplasma do óvulo de uma mulher estéril por o de uma doadora fértil, que foi, em seguida, fecundado com o esperma do pai. Quase 20 crianças foram concebidas dessa forma, gerando muitos questionamentos e levando o FDA a suspender o procedimento.

O procedimento é permitido apenas no Reino Unido

Até o momento, a fertilização in vitro que usa DNA de três pessoas foi aprovada apenas no Reino Unido. O procedimento foi feito no México, onde não existem regras ou leis que proíbam esse tipo de técnica.

Médicos estão questionando a necessidade da técnica

Alguns médicos acreditam que a transferência mitocondrial não é justificada. A técnica não cura, trata ou previne a doença de qualquer pessoa existente. Além disso, as pessoas em risco de transmitir esta condição podem optar por usar o óvulo de outra pessoa.

Do outro lado desse debate, médicos acreditam que as controvérsias acerca da tecnologia são infundadas, já que as mitocôndrias não carregam genes relacionados com comportamentos ou características.

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Referências:

  • 5 Things to Know About Baby Born With DNA From Three People. Medscape. Oct 04, 2016.

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