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Dia Mundial da Obesidade: o que você precisa saber sobre excesso de peso em crianças

A obesidade é considerada atualmente como um problema de saúde pública tanto na população jovem como na adulta. Para unir esforços e comunicar de forma intensa o impacto na vida das pessoas, a World Obesity Federation criou o Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 11 de outubro.

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Nos últimos 20 anos, tem-se observado um aumento da prevalência de obesidade infantil, o qual está estritamente relacionado com mudanças no estilo de vida (outros tipos de brincadeiras, mais tempo em frente da televisão e jogos de computadores/tablets, maior dificuldade de brincar na rua pela falta de segurança), inatividade física e nos hábitos alimentares (maior apelo comercial pelos produtos ricos em carboidratos simples, gorduras e calorias, maior facilidade de fazer preparações ricas em gorduras e calorias).

A obesidade pode iniciar em qualquer idade, desencadeada por fatores como o desmame precoce, a introdução inadequada de alimentos, distúrbios do comportamento alimentar e da relação familiar, especialmente nos períodos de aceleração do crescimento. Whitaker et al. e Price relatam a necessidade da identificação precoce do excesso de peso em crianças para diminuir o risco de se tornarem adultos obesos. Os autores enfatizam dois fatores que podem contribuir para dobrar o risco da obesidade em adultos jovens: obesidade em um dos pais ou sua presença na infância.

A obesidade pode trazer sérias complicações à saúde do indivíduo. Estas complicações são retratadas, levando-se em consideração o tempo de exposição a esta morbidade, uma vez que quanto maior o tempo que o indivíduo permanece obeso, maior probabilidade de desenvolver uma ou mais complicações.

Os agravos decorrentes da obesidade podem ser: articulares (maior predisposição a artroses, osteoartrites, epifisiólise da cabeça femoral, genu valgum e coxa vara), cardiovasculares (hipertensão arterial sistêmica, hipertrofia cardíaca e morte súbita), cirúrgicas (aumento do risco cirúrgico), endócrinos (idade óssea avançada, aumento da estatura e menarca precoce), dermatológicas (com micoses, estrias, dermatites e piodermites principalmente nas regiões da axila e inguinal), endócrino-metabólicas (maior resistência à insulina, maior predisposição a diabetes mellitus tipo 2, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia, gota úrica e doença dos ovários policísticos com oligomenorreia ou amenorreia), gastrintestinais (maior frequência de litíase biliar), neoplásicas (maior frequência de câncer de endométrio, mama, reto e próstata), respiratórias (forte tendência à hipóxia, apneia de sono, asma e Síndrome de Pickwick).

Veja também: ‘Você conhece a associação entre parto cesáreo e risco de obesidade?’

A obesidade pode ser de origem exógena e endógena. Para a endógena, deve-se identificar a doença de base e tratá-la. A exógena, a mais frequente, origina-se do desequilíbrio entre ingestão e gasto calórico, devendo ser manejada com orientação alimentar, especialmente mudanças de hábitos e otimização da atividade física.

É importante ressaltar que crianças e adolescentes seguem padrões paternos; se esses não forem modificados ou manejados em conjunto, um insucesso do tratamento já é previsto. Portanto, é necessário uma orientação geral aos pais, professores, técnicos e outros profissionais que influenciam a juventude a discutir hábitos saudáveis e não a cultura do corpo como parte do esforço para controlar sobrepeso e obesidade; o incentivo aos gestores de organizações locais, estaduais, nacionais e de escolas a darem condições de um estilo de vida saudável para todas as crianças, incluindo alimentação apropriada e oportunidade adequada para atividade física regular.

Os programas escolares em educação em saúde são, no momento, a estratégia mais eficaz para reduzir problemas de saúde pública crônicos relacionados com estilo de vida sedentário e padrão alimentar errôneo, embora mais estudos sejam necessários.

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Em relação a orientação dietética, é fundamental que ela determine perda de peso controlada ou a manutenção do mesmo, crescimento e desenvolvimento normais, ingestão de macro e micronutrientes em quantidades adequadas para idade e sexo, redução do apetite ou da voracidade, manutenção da massa muscular, ausência de consequências psicológicas negativas e manutenção dos hábitos alimentares corretos e modificação dos inadequados.

Prevenção

A melhor estratégia para conter a epidemia de obesidade na infância e adolescência é a prevenção, visto que as medidas de intervenção ainda têm pouco consenso. Prevenir a obesidade infantil significa diminuir, de uma forma racional e menos onerosa, a incidência de doenças crônico-degenerativas.

As iniciativas de prevenção devem começar antes da idade escolar, com atendimento e seguimento adequados de puericultura, promovendo a aquisição de hábitos alimentares saudáveis e a atividade física lúdica desde o primeiro ano de vida, sendo mantidas durante a infância e a adolescência. É muito importante que seja incorporado ao currículo formal das escolas, em diferentes séries, o estudo de nutrição e hábitos de vida saudável, pois neste local e momento é que pode começar o interesse, o entendimento e mesmo a mudança dos hábitos dos adultos, por intermédio das crianças e dos adolescentes.

A figura apresenta alvos principais para a prevenção da obesidade infantil
A figura apresenta alvos principais para a prevenção da obesidade infantil

Uma política consistente de prevenção da obesidade deve compreender não só ações de caráter educativo e informativo (como campanhas veiculadas por meios de comunicação de massa), como também medidas legislativas (como controle da propaganda de alimentos não-saudáveis, especialmente os dirigidos ao público infantil), tributárias (isentando alimentos saudáveis e onerando os preços dos não-saudáveis), treinamento e reciclagem de profissionais de saúde, medidas de apoio à produção e comercialização de alimentos saudáveis e mesmo medidas relacionadas ao planejamento urbano (por exemplo, privilegiando o deslocamento de pedestres em contraposição ao de automóveis e dotando áreas carentes de recursos mínimos para a prática de atividades físicas de lazer).

Autor:

nataliamelo

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