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Qualidade do Hospital tem impacto na mortalidade a longo prazo em pacientes após infarto do miocárdio

A mortalidade em trinta dias após o infarto agudo do miocárdio (IAM) é um marcador utilizado com frequência para avaliar a qualidade do atendimento hospitalar prestado à pacientes com IAM.

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Nos Estados Unidos (EUA), as taxas de mortalidade hospitalares são utilizadas para avaliar a qualidade e desempenho dos hospitais porque refletem de modo significativo os resultados dos cuidados hospitalares. O Medicare tem avaliado a taxa de mortalidade em trinta dias para diversas condições clínicas e estes índices são incorporados à política de pagamento dos serviços prestados pelos Hospitais americanos.

A questão ainda não esclarecida era se os pacientes internados em hospitais que estão associados com melhores resultados de curto prazo têm também melhorado a sobrevida desses pacientes a longo prazo. O benefício de sobrevivência a curto prazo obtido em hospitais de alto desempenho pode se dissipar ao longo do tempo, o que daria apoio à teoria de que estes hospitais podem estar dando alta a mais pacientes vivos, porém com maior taxa de mortalidade subsequente. Por outro lado, os pacientes tratados em hospitais de alto desempenho podem ter um benefício de sobrevida que possa ser mantido ao longo do tempo, sugerindo que as diferenças na qualidade da assistência prestada produzem um benefício precoce que perdura ao longo do tempo.

Essa hipótese foi avaliada em estudo publicado recentemente no The New England Journal of Medicine em que os autores utilizaram dados do Cooperative Cardiovascular Project (CCP) que representa os beneficiários do Medicare hospitalizados por IAM no período de janeiro de 1994 a fevereiro de 1996 com mais de 17 anos de seguimento. Foram incluídos 119.735 pacientes admitidos em 1.824 hospitais. Os pacientes foram agrupados em cinco faixas de acordo com a gravidade dos casos. Dentro de cada faixa foi comparado a expectativa de vida entre os pacientes internados em hospitais de alto desempenho (menor taxa de mortalidade em 30 dias) com a expectativa de vida entre os pacientes internados em hospitais de baixo desempenho (maior taxa de mortalidade em 30 dias).

Os pesquisadores encontraram diferenças significativas na expectativa de vida entre pacientes internados em hospitais com alto desempenho e pacientes internados em hospitais com baixo desempenho. O estudo mostrou que pacientes tratados em hospitais de alto rendimento viveram, em média, 0,74 e 1,14 anos, dependendo da gravidade do caso, a mais após o IAM do que aqueles tratados em hospitais de baixo desempenho.

O estudo concluiu que pacientes tratados de IAM em hospitais com menor taxa de mortalidade em 30 dias tinham de modo significativo maior esperança de vida longa do que pacientes tratados em hospitais com taxas mais elevadas de morte em 30 dias. Os dados sugerem que investimentos em medidas que melhorem o resultado dos hospitais nos primeiros dias de atendimento do IAM possam ter impacto na sobrevida ao longo do tempo.

Autor:

antoniolagoeiro

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Referências:

  • Bucholz EM, Butala NM, Ma S, Normand ST, Krumholz HM. Life Expectancy after Myocardial Infarction, According to Hospital Performance. N Engl J Med. 2016 Oct 6;375(14):1332-1342.
  • Krumholz HM, Normand SL. Public reporting of 30-day mortality for patients hospitalized with acute myocardial infarction and heart failure. Circulation 2008; 118: 1394-7.

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