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Embolia Pulmonar e Síncope: alta prevalência revela diagnóstico negligenciado

A prevalência de embolia pulmonar em pacientes admitidos por síncope não está bem documentada na literatura, sendo esta uma causa negligenciada pelas diretrizes e raramente considerada na investigação etiológica do quadro de síncope. Estudo italiano publicado pelo New England Journal of Medicine (NEJM) revela que um em cada seis pacientes admitidos no hospital pelo primeiro episódio de síncope apresentam tromboembolismo pulmonar.

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Todos os 560 pacientes do estudo foram admitidos em 11 hospitais italianos por um primeiro episódio de síncope, sendo submetidos a um protocolo de exclusão de tromboembolismo pulmonar. Os 330 pacientes com baixa probabilidade pré-teste pelo escore de Wells e com D-dímero negativo tiveram TEP excluído. Os 230 demais pacientes em que TEP não pode ser excluído, foram submetidos a angiotomografia pulmonar ou tomografia de ventilação-perfusão para determinação diagnóstica.

Entre os 230 pacientes suspeitos, tromboembolismo pulmonar foi identificado em 97 destes (42,2%). Em 61 pacientes, o embolo era visível em grandes artérias ou artérias lobares ou apresentavam déficit de perfusão maior que 25% do parênquima pulmonar, sendo estes marcadores de gravidade da doença.

O estudo também revela os sinais clínicos mais associados aos pacientes com tromboembolismo pulmonar no contexto de síncope, sendo estes: taquipneia (45,4% x 7,1%); taquicardia (33% x 16,2%); hipotensão (36,1% x 22,9%); sinais de trombose venosa profunda (40,2% x 4,5%); episódio prévio de tromboembolismo (40,2% x 4,5%); câncer em atividade (19,6% x 9,9%); cujo primeiro valor percentual se refere ao do grupo com diagnóstico confirmado de tromboembolismo pulmonar e o segundo ao grupo com diagnóstico excluído por exame radiológico ou por D-dímero negativo com baixa probabilidade pré-teste.

Veja também: ‘Tromboembolismo Pulmonar: Filtro de VCI diminui mortalidade?’

É importante destacar, também, que tromboembolismo pulmonar apresentou uma prevalência significativa em pacientes cuja síncope poderia ser atribuída a outra doença concomitante (como observado em 45 dos 355 pacientes nestas condições = 12,7%), e uma prevalência maior naqueles sem outras causas atribuíveis a síncope (52 em 205 pacientes = 25,4%).

Os resultados permitem alarmar clínicos, emergencistas e intensivistas de que o tromboembolismo pulmonar deve ser considerado na investigação de todo paciente com síncope, especialmente naqueles com fatores de risco como câncer, trauma ou cirurgia recente, em uso de terapia estrogênica ou imobilização prologada. A alta mortalidade da doença e a alta prevalência de sinais de gravidade neste grupo de pacientes aumentam ainda mais a relevância na incorporação da investigação diagnóstica do tromboembolismo na rotina de investigação de síncope.

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Referências Bibliográficas:

  • Prandoni, P et al. Prevalence of Pulmonary Embolism among Patients Hospitalized for Syncope. N Engl J Med 2016; 375:1524-1531. October 20, 2016. DOI: 10.1056/NEJMoa1602172. Disponível online em: http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa1602172

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