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Por que os planos de saúde estão quebrando?

O que já foi um negócio muito lucrativo no passado, hoje vive seu pior momento em anos. Vemos multiplicarem-se as operadoras de planos de saúde em problemas financeiros, sofrendo intervenções ou entrando com pedidos de falência.

Hoje cerca de 48 milhões de brasileiros possuem cobertura de planos. Há dois anos eram 50 milhões. É nesse momento de crise que muitas vezes surge um grande player para consolidar o mercado e comprar as carteiras dos falidos. Mas realmente há espaço para crescimento ou a trajetória ainda será decrescente antes de se estabilizar?

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Um caso emblemático é o das UNIMEDs, que não constituem uma empresa única, mas sim diversas cooperativas médicas regionais espalhadas pelo Brasil e que utilizam o mesmo nome fantasia. A Unimed paulistana, que quebrou no início de 2016, parece ter sido apenas a ponta do iceberg.

O drama vivido em especial pelas prestadoras no Rio de Janeiro, Brasília e Rio Grande do Sul, nos faz repensar se o modelo de saúde suplementar no Brasil é sustentável. As operadoras agonizam lentamente enquanto os balanços não fecham um mês após o outro. Estima-se que a dívida das UNIMEDs – ou dos médicos cooperados, se preferir – com a união seja da ordem de R$ 1,247 bi.

Na tentativa de resgate tanto prestadores quanto clientes saem perdendo. Os primeiros sofrem glosas frequentes, recebem valores fracionados e com atrasos de meses, enquanto os clientes arcam com mensalidades reajustadas acima da inflação, sempre no limite permitido pela ANS. Mesmo assim a conta não fecha.

Diversos fatores contribuem para essa derrocada do setor e os mesmos problemas responsáveis pela falência do SUS parecem ter chegado ao mundo dos convênios. Falta de cultura preventiva, altas taxas de desemprego devido à recessão econômica, má gestão e corrupção também não poderiam ficar de fora.

A Unimed Rio despejou rios de dinheiro na forma de salários milionários de jogadores de futebol, por coincidência, sempre do clube do coração do presidente e gestor da cooperativa. A justificativa era publicidade e os resultados maquiados. O investimento feito de forma visceral agora cobra seu preço: a Unimed rio é a próxima na fila da liquidação.

A Unimed paulistana, mesmo vivendo maus momentos e com balanço questionado, custeou a viagem de centenas de executivos e funcionários para a África, hospedados em hotel de luxo com direito a safari e outras mordomias.

Veja também: ‘Quanto custa a sua saúde?’

Assim como o SUS precisa de reformas e redimensionamento, também devemos repensar o modelo do sistema de saúde suplementar, já que mesmo com a retomada do crescimento econômico, alguns desses processos parecem irreversíveis: a cada dia surgem tratamentos mais caros e sofisticados, a expectativa de vida aumenta, cresce o movimento de judicialização da saúde (pública e privada) e a ANS aperta a fiscalização aplicando multas frequentes.

As receitas não crescem na mesma proporção que as despesas, o que puxa a inflação médica para cima e faz com que cada vez menos famílias possam pagar pelos planos. A perda de clientes alimenta ainda mais esse ciclo vicioso.

Enquanto não forem feitas reformas na saúde visando o longo prazo, a saúde suplementar continuará sua caminhada para o mesmo buraco onde encontra-se enterrado o SUS. Por enquanto essa história ainda parece muito longe do fim.

Autor:

Joaopedrocorrea

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