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Já é possível trocar valvas cardíacas sem cirurgia

Já muito difundida no meio da cardiologia, a implantação percutânea de valva aórtica (TAVI, do inglês transcatheter aortic valve implantation) permanece ainda desconhecida em outras áreas médicas. Com a proposta de se tratar a estenose aórtica sem necessidade de cirurgia, o dispositivo vem obtendo desfechos semelhantes aos da cirurgia, ainda que não tenha sido comparado diretamente com a mesma.

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O procedimento consiste na implantação de uma valva cardíaca através da artéria femoral. Antes do procedimento, o paciente é estudado através de exames como angiotomografia de aorta e coração, além de ecocardiografia, a fim de analisar melhor a anatomia da área da implantação da valva.

No dia do procedimento o paciente é colocado em um centro de hemodinâmica e é instalado um marca-passo transvenoso, segue-se o procedimento através da cateterização da artéria femoral. A valva é biológica e seu arcabouço é feito de nitinol (uma mistura entre níquel e titânio), um metal maleável em baixas temperaturas, porém bem resistente quando em temperatura corporal. Além disso, o nitinol possui memória, ou seja, quando maleável é possível mudar de formato (como por exemplo fazer com que a prótese metálica se afine a ponto de caber na artéria femoral), e quando entra em contato com temperaturas mais altas volta a sua conformação original.

A valva, então, é afinada e colocada no introdutor para ser liberada na localização da valva aórtica original. No momento da liberação o marca-passo induz uma frequência alta com o intuito de movimentar cada vez menos a via de saída do ventrículo esquerdo. Com a valva em posição, ela é liberada do implantador assumindo a memória no nitinol em sua conformação original, sendo necessária a expansão com balão para acomodação à anatomia do paciente.

A valva nativa é, então, esmagada e inutilizada sendo substituída pela nova prótese. O procedimento se torna um sucesso quando não há gradiente entre o ventrículo esquerdo e a aorta ou este é mínimo e existe apenas uma pequena regurgitação paraprotética.

O procedimento foi avaliado através do estudo PARTNER em 358 pacientes com estenose aórtica grave e indicação de troca valvar, porém inoperáveis. Eles foram dividos em dois grupos, o primeiro receberia tratamento clínico e o segundo grupo o procedimento TAVI.

A TAVI reduziu significativamente a mortalidade em pacientes com estenose aórtica grave inoperáveis em relação ao tratamento clínico. As principais complicações foram AVC, complicações vasculares e sangramentos, que foram bem mais expressivos no grupo TAVI. Ainda sim, houve imensa vantagem em trocar a valva por esse modo, tendo em vista que o tratamento clínico nada tem a oferecer em relação a sobrevida.

As valvas implantáveis de forma percutânea não necessitam de anticoagulação, apenas anti-agregação plaquetária e custam em torno de 70 mil reais. Elas estão em constante evolução e espera-se que em breve estejam também substituindo outras válvulas que não somente a aórtica.

É imperativo lembrar que seu uso está aprovado apenas em pacientes inoperáveis ou com risco cirúrgico muito elevado e seus resultados ainda não foram comparados aos da cirurgia convencional. De qualquer maneira, a TAVI surgiu como uma esperança para pacientes que praticamente esperavam pela morte e agora podem gozar mais alguns anos de suas vidas.

Autor:

gabriellopes

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Referências:

  • Leon MB, Smith CR, Mack M, et al. Transcatheter aortic-valve implantation for aortic stenosis in patients who cannot undergo surgery. N Engl J Med. 2010
  • https://www.bhf.org.uk/heart-health/treatments/tavi

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