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Como abordar a disfunção sexual durante o tratamento da depressão?

A depressão é uma doença multifatorial, com sintomas que englobam grande parte da vida do paciente. Dentre eles, um muito comum e de difícil tratamento é a queda da libido. Em uma entrevista online recente nos EUA, entre pacientes usuários de antidepressivos, 68% declarou apresentar algum grau de disfunção sexual com o transtorno depressivo.

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A primeira classe de antidepressivos descoberta foi a de inibidores da monoamina oxidase (iMAO). Pouco depois foi a vez dos tricíclicos serem introduzidos. Após quase 30 anos, entram em cena os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, seguidos por inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, etc.

Apesar das várias classes de antidepressivos disponíveis hoje, com os mais variados perfis farmacodinâmicos, sabemos que um efeito colateral é quase onipresente: a disfunção sexual. Manifesta-se através da queda da libido, retardo do tempo ejaculatório, chegando mesmo a anorgasmia, além de disfunção erétil por via inibição da enzima óxido nítrico sintetase, como no caso da paroxetina, por exemplo. Nesta entrevista realizada nos EUA, 17% declararam início do sintoma após início de antidepressivo.

Um dos problemas de tratar a disfunção sexual causada pela depressão ou antidepressivo é por conta da falta de abordagem do assunto em consulta médica. Por ser muito frequente sua alteração, o médico deve perguntar ao paciente deprimido sobre sua função sexual. Deve se afastar a possibilidade de ela ser causada por algum problema clínico ou relacionado a outras medicações (propranolol, por exemplo).

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São descritas algumas estratégias para abordar a disfunção sexual nos pacientes deprimidos, porém mesmo quando aplicadas, são medidas de baixa eficácia. Inicialmente, pode se tentar reduzir a dose da medicação ou mesmo não fazer uso dela em dias em que pode haver relação sexual (no caso de drogas com curta meia vida). A substituição por antidepressivos com menor ação na função sexual, como a bupropiona, pode ser uma opção em casos de pacientes sem contraindicação. Existem casos de associação da bupropiona com inibidores seletivos da recaptação de serotonina, com melhora deste efeito colateral.

Outra estratégia é o uso de algumas drogas para efeitos sexuais específicos. Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (sildenafila, por exemplo) podem ser usados para tratamento de disfunção erétil. Os anti-histamínicos ciproeptadina e loratadina tem relatos de caso com melhora da anorgasmia.

Por fim, há novos antidepressivos que prometem interferir menos na função sexual, como a agomelatina, vortioxetina e a desvenlafaxina, mas, devido ao seu pouco tempo no mercado, é cedo para essa indicação. A gepirona, droga ainda não liberada para uso, promete não causar disfunção sexual a princípio.

Tendo tudo em vista, conclui-se que ainda é muito difícil abordar a disfunção sexual no paciente deprimido, mas que o assunto deve ser abordado para evitar descontinuação da medicação precoce e o abandono de tratamento.

Autor:

marcosfidry

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Referências Bibliográficas:

  • Aukst-Margetić B, Margetić B. An open-label series using loratadine for the treatment of sexual dysfunction associated with selective serotonin reuptake inhibitors. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2005 Jun;29(5):754-6
  • Brooks M.Antidepressants Worsen Sexual Dysfunction and Depression?. Medscape. Oct 20, 2016
  • Sadock BJ, Sadock VA, Ruiz P et al. Kaplan & Sadock’s Comprehensive Textbook Of Psychiatry 9e. LWW. Volume 1, 2009
  • Safarinejad MR. The effects of the adjunctive bupropion on male sexual dysfunction induced by a selective serotonin reuptake inhibitor: a double-blind placebo-controlled and randomized study. BJU Int. 2010 Sep; 106 (6): 840-7
  • Souza CAC et al. Antidepressivos e Disfunções Sexuais- Parte Final Psychiatry on line Brasil. 2012 Novembro; vol. 17, nº 10

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