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Quando, afinal, é seguro começar anticoagulantes logo após um AVC isquêmico?

O uso de anticoagulantes orais diretos logo após um AVC isquêmico é seguro? Este início imediato é o período de maior risco para a transformação hemorrágica e, por isso, poucos ousaram iniciar tão precocemente, o que torna os dados escassos para se guiar uma decisão. Mas um novo estudo analisou diversos dados para responder essa pergunta.

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Vários anticoagulantes orais diretos (DOAC), não-antagonista da vitamina K, estão disponíveis para a prevenção de AVC no cenário da fibrilação atrial (FA) de etiologia não valvar. Neste estudo, médicos revisaram a sua experiência em 204 pacientes com fibrilação atrial de etiologia não valvar com um AVC recente ou ataque isquêmico transitório. Os pacientes (89% com AVC isquêmico agudo), que tinham idade média de 79 anos, receberam um DOAC ou um antagonista da vitamina K após o evento.

Os investigadores avaliaram os resultados separadamente: indivíduos que receberam DOAC precocemente (100 pacientes; ≤7 dias após o evento) versus tardio (55 pacientes; > 7 dias). A pontuação média na escala do NIH de AVC foi 3 no grupo precoce e 7 no grupo tardio.

Durante o acompanhamento de 3 a 6 meses, seis eventos isquêmicos recorrentes e uma hemorragia cerebral foram identificados. A única hemorragia cerebral ocorreu no paciente tratado com um antagonista da vitamina K. Nenhuma grande diferença foi observada na taxa de AVC recorrente no tratamento precoce (5,1% por ano) versus tardio (9,3% ao ano; P = 0,53).

Veja também: ‘Podemos confiar nos novos anticoagulantes?’

O Dr. Henrique Cal, neurologista membro da Academia Brasileira de Neurologia, dá sua opinião sobre o estudo:

“O artigo tem muito valor, mas não é tão ‘divisor de águas’: esse é um dos primeiros estudos do tipo, havendo necessidade de mais ensaios com maior número de pacientes e que estes sejam randomizados. Além disso, ele é um pouco heterogêneo, pois um dos grupos tem o dobro de participantes do outro grupo comparado. O NIH também foi um pouco diferente entre os dois grupos, enquanto que o ideal é que os eles sejam o mais semelhante possível.

Esse tema é muito importante na prática e um grande desafio, principalmente com os novos DOAC, que alcançam rápido o efeito terapêutico. Quando começar um anticoagulante depois do AVC depende de muitas variáveis, como tamanho do AVC, local, comorbidades do paciente e outras medicações que ele usa. Além disso, a etiologia do AVC faz muita diferença: por exemplo AVC por FA não tem uma taxa de recorrência imediata tão alta (apenas 2-4% em duas semanas). Por isso, o aconselhamento com um neurologista experiente nesta área é interessante”.

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Referências:

  • http://www.jwatch.org/na42503/2016/10/20/safety-using-direct-oral-anticoagulants-soon-after

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