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Solidão pode desempenhar papel causador na doença de Alzheimer

Adultos mais velhos com níveis elevados de amilóide cerebral são mais propensos a relatar sentimentos de isolamento, independente de suas circunstâncias sociais. Este fato ressalta o papel potencial da solidão no Alzheimer pré-clínico, um novo estudo indica.

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Para o estudo, foram recrutados 79 indivíduos cognitivamente normais. A idade média dos participantes foi de 76,4 anos. Um total de 22 (28%) testou positivo para apolipoproteína E ɛ4 (APOEε4), fator de risco genético para Alzheimer; 25 (32%) tinham carga amiloide cerebral elevada, determinada pela tomografia por emissão de pósitrons (PiB-PET).

Os auto-relatos de solidão foram avaliados usando a Escala de Solidão da UCLA de três itens, que pergunta:

– Com que frequência você sente falta de companhia?
– Com que frequência você se sente excluído?
– Quantas vezes você se sente isolado de outros?

As respostas foram dadas em uma escala de quatro pontos: 1 – nunca; 2 – raramente; 3 – às vezes; 4 – muitas vezes. As pontuações totais possíveis variavam de 3 a 12, com maior pontuação indicando maior solidão. O escore médio de solidão entre os participantes foi de 5,3.

Após o ajuste para as variáveis, os participantes com uma carga amiloide mais elevada apresentaram uma probabilidade 7,5 vezes maior de serem classificados como solitários ([OR] 7,5; 95% [IC] 1,7 – 34,0; P = 0,01). A ligação entre a carga amiloide elevada e a solidão também foi significativamente mais forte nos portadores de APOEε4.

Veja também: ‘Um possível novo tratamento para o Alzheimer’

Os resultados são consistentes com as hipóteses relativas aos efeitos da autopercepção no Alzheimer pré-clínico, levantadas pelos pesquisadores. Para eles, é possível que as alterações cerebrais precoces devido ao Alzheimer possam estar associadas à mudanças sutis na percepção social, que poderiam predispor sentimentos de solidão.

Pesquisas anteriores ligaram experiências sociais, incluindo a solidão, com vários resultados adversos, como depressão, declínio cognitivo e mortalidade precoce em idosos. À luz desta pesquisa, os autores especulam que a experiência de solidão pode desempenhar um papel causador na doença de Alzheimer.

Agora, os pesquisadores planejam estudos longitudinais adicionais para avaliar se APOE4 influencia as associações unidirecionais e/ou bidirecionais da carga amiloide e da solidão ao longo do tempo. Até que mais se saiba, os resultados sugerem, pelo menos, que os médicos não devem descartar relatos de solidão, particularmente quando outros sintomas, como mudanças de humor, estão presentes.

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Referências:

  • JAMA Psychiatry. Published online November 2, 2016. doi:10.1001/jamapsychiatry.2016.2657

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