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Descomplicando o ciclo cardíaco: guia prático para entendimento

Todas as vezes que um aluno ouve as palavras ciclo cardíaco ele é consumido por um intenso desânimo, parte porque o entendimento do assunto é de difícil compreensão, parte por um pré-julgamento mediante à opinião de outras pessoas. Nossa intenção, com esse texto, é mostrar que o ciclo cardíaco pode ser algo simples de entender se explicado da maneira correta.

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Inegável é a importância do ciclo cardíaco da medicina, pois conhecer as fases de contração e relaxamento cardíacos implica em uma boa prática clínica e semiológica, além de ser bastante útil em descrição de casos e em especialidades como a ecocardiografia. Em resumo, o ciclo cardíaco se assemelha a um mapa esquemático das ações do coração.

Para entendermos o ciclo cardíaco, precisamos ter em mente que o coração tem a função básica de bombear o sangue para os diversos órgãos do corpo. Para isso, ele precisa relaxar para receber o sangue e contrair para expulsá-lo de suas cavidades. O processo de relaxamento é denominado diástole, enquanto o processo de contração é denominado sístole.

Esses dois momentos são a base fundamental do ciclo cardíaco. Os sopros auscultados durante a sístole podem ou não representar alguma patologia, seja ela cardíaca ou sistêmica, enquanto os sopros auscultados durante a diástole sempre serão patológicos. Para melhor entendimento, imagine que as fases do ciclo em condições fisiológicas ocorrem dos dois lados do coração de maneira simultânea.

A DIÁSTOLE

Como o próprio nome já diz, a qualquer momento em que se inicia um ciclo, ao terminadas as etapas, retorna-se ao ponto de partida para, então, reiniciar o processo. Para fins didáticos, iniciaremos o entendimento do ciclo cardíaco pela diástole.

Imagine que os ventrículos acabaram de ejetar parte do sangue contido em seu interior, enquanto isso ocorria os átrios recebiam sangue das veias que desembocam neles (veias cavas inferior e superior e seio coronariano para o átrio direito e veias pulmonares para o átrio esquerdo). Nesse momento, os ventrículos atingiram seu ponto máximo de pressão e vão iniciar o relaxamento.

Ao mesmo tempo os átrios estão recebendo sangue de suas respectivas veias e aumentando a pressão em seu interior. Após esse momento, a medida que o ventrículo relaxa a pressão em seu interior tende a cair, o átrio ainda não atingiu pressão suficiente para abrir as valvas atrioventriculares e a aorta já superou a pressão no interior dos ventrículos fechando assim as valvas semilunares. Essa fase do ciclo é chamada RELAXAMENTO ISOVOLUMÉTRICO, pois devido às diferenças de pressão, todas as valvas estão fechadas permitindo que os ventrículos relaxem sem receber nenhum volume de sangue. Essa fase coincide com o inicio do seguimento ST no eletrocardiograma.

Quando os átrios recebem consideradas quantidades de sangue, o bastante para vencer a pressão dos ventrículos e abrir as valvas atrioventriculares, os ventrículos recebem então o sangue, de maneira abrupta, que estava represado nos átrios caracterizando a fase de ENCHIMENTO RÁPIDA. A partir daí, a pressão nos ventrículos voltam a aumentar enquanto a pressão atrial tende a decair.

Após essa primeira etapa, o sangue, antes abundante nos átrios, passa agora a representar apenas o volume proveniente das veias determinando uma redução da velocidade do fluxo, mas ainda assim aumentando a pressão dentro dos ventrículos. Essa fase é conhecida como ENCHIMENTO LENTO.

Ambas as fases mencionadas anteriormente ocorrem paralelamente a onda T no eletrocardiograma. Agora, com o ventrículo já todo relaxado entramos na última fase da diástole, a SÍSTOLE ATRIAL. Não se confunda nesse momento, pois o nome das fases correspondem aos acontecimentos nos ventrículos, portanto a sístole atrial, que representa a contração do átrio, ocorre em um momento em que o ventrículo ainda não iniciou sua contração, portanto permanece em diástole. A contração atrial contribui com cerca de 30% do volume de sangue do débito sistólico final do ventrículo, e coincide com a onde P no eletrocardiograma.

A SÍSTOLE

Ao término da diástole, o coração prepara-se para ejetar o sangue recebido na fase anterior, a sístole ventricular costuma ter um tempo fixo sendo apenas o tempos de diástole influenciados pela frequência cardíaca. Nesse momento os ventrículos estão repletos de sangue e a pressão em seu interior reflete a pressão diastólica final, o músculo cardíaco inicia sua contração vencendo a pressão nos átrios e fechando as valvas atrioventiculares.

Como o ventrículo ainda não atingiu níveis pressóricos suficientes para vencer a pressão na aorta/pulmonar, a contração nesse momento não é suficiente para abrir as valvas semilunares, sendo assim o volume de sangue permanece no ventrículo denotando a fase de CONTRAÇÃO ISOVOLMÉTRICA, novamente todas a valvas estão fechadas nesse momento e ele coincide com o inicio do complexo QRS.

Prosseguindo com a contração ventricular, o momento em que as pressões dentro dessas cavidades vencem as pressões aórtica e pulmonar, abrem-se as valvas semilunares e o sangue é ejetado dos ventrículos de maneira abrupta, determinando a fase de EJEÇÃO RÁPIDA.

A medida que o sangue vai sendo ejetado as pressões no vasos da base (artéria aorta e pulmonar) vai aumentando e diminuindo então a velocidade do fluxo da ejeção determinando o período de EJEÇÃO LENTA. Esses dois períodos coincidem com com o completo QRS no eletrocardiograma.

Terminada a sístole, o coração se prepara para a diástole novamente completando um ciclo que se repete desde a vida intra-uterina até a morte, compreender a fisiologia do ciclo cardíaco é de fundamental importância para o entendimento das doenças que afetam o coração bem como seu funcionamento.

Para melhor compreensão do ciclo, é prudente que o leitor estude os gráficos de pressão do ciclo cardíaco em livros de fisiologia, ademais com o entendimento das fases de sístole e diástole, basta o leitor subdividir essas fases para o melhor compreensão do ciclo e sempre imaginar as fases acontecendo em tempo real como uma mecanismo necessário para a manutenção da função cardíaca.

Autor:

gabriellopes

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