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Existe uma quantidade segura para consumo do açúcar?

O excesso de açúcar na alimentação, além de obesidade e diabetes, pode ter efeitos indiretos na saúde cardíaca da população. O perigo é tão grande que alguns pesquisadores estão considerando como “o novo tabaco”.

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Frente a esse desafio, diversas nações já começaram a tomar providências para limitar o consumo e conscientizar a população sobre o risco. Para 2017, o Reino Unido anunciou um imposto de 20% sob bebidas açucaradas. Pesquisadores de Oxford estimaram que uma redução de 15% no consumo de açúcar por meio dessa taxa evitaria que 180 mil pessoas no Reino Unido se tornassem obesas.

Veja também: ‘AHA recomenda novo limite de ingestão de açúcar para crianças e adolescentes’

A evidência científica revela que os benefícios positivos de implantar um imposto como esse vai além de uma mera redução de calorias:

  • Uma análise econométrica de 175 países (considerada a mais alta qualidade do estudo, com exceção dos ensaios clínicos randomizados) revelou que, para cada 150 calorias de açúcar disponíveis para consumo, houve um aumento de 11 vezes na prevalência de diabetes tipo 2 na população.
  • A prevalência de diabetes tipo 2 na população dos EUA entre 1988 e 2012 aumentou em 25% tanto em populações obesas quanto na de peso normal, o que demonstra que esta condição não está relacionada apenas à obesidade.
  • Um estudo de coorte prospectivo de alta qualidade revelou um aumento na mortalidade cardiovascular entre os adultos americanos que consumiram mais de 25% de calorias de açúcares adicionados versus aqueles que consumiram menos de 10%, com achados consistentes entre os níveis de atividade física e IMC.
  • Os efeitos positivos para a saúde da redução da ingestão de açúcar parecem ser bastante rápidos. Em um estudo de 43 crianças latinas e afro-americanas com síndrome metabólica, uma redução de uma média de 28% para 10% de calorias de açúcares adicionados diminuiu significativamente triglicerídeos, colesterol LDL e pressão arterial em apenas 10 dias.

Existe uma quantidade segura?

Para fins de saúde, o consumo ideal é zero. O açúcar adicionado não tem nenhuma exigência biológica e, portanto, não é um “nutriente”. É a frutose (a sacarose é 50% glicose e 50% frutose) que cumpre quatro critérios que justificam sua regulação: toxicidade, inevitabilidade, potencial de abuso e seu impacto negativo na sociedade.

O consumo de apenas pequenas quantidades de açúcar livre, que inclui todos os açúcares e açúcares presentes no suco, xaropes e mel, diariamente, tem um impacto nocivo sobre a doença não transmissível mais comum a nível mundial: a cárie dentária.

Semelhante ao tabagismo, quaisquer medidas regulatórias adicionais para reduzir o consumo de açúcar, como, por exemplo, a proibição da propaganda de bebidas açucaradas, terão um impacto adicional na melhoria da saúde da população.

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Referências:

  • Sugarwise http://sugarwise.org
  • Sugar Is the New Tobacco, so Let’s Treat It That Way. Medscape. Oct 31, 2016.

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