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Hospitais podem virar “coisa do passado”?

A tecnologia e a ciência vêm mudando o mundo de forma extremamente rápida, mas será que essas inovações podem chegar ao ponto transformar os hospitais em passado? A médica Melanie Walker, co-presidente do World Economic Forum’s Future Council sobre neurotecnologia e ciência do cérebro, acredita que sim. Walker baseia sua previsão no crescimento de novas tecnologias de saúde, não apenas nas clínicas, mas em casas, fazendo com que, no futuro, as nossas casas sejam nossos hospitais.

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“Quando comecei na década de 1990, a descoberta de inibidores de protease – uma classe de medicamentos antivirais – ajudou a mudar o curso clínico para pacientes HIV positivos, enquanto as vacinas para condições como a hepatite C e doença de Lyme salvou uma geração de sofrimento desnecessário. A biologia parecia estar inaugurando um novo mundo corajoso, mas a inovação em química médica e física estavam para trás. Agora, em 2016, a telemedicina está ganhando terreno, mas se parece um pouco mais com uma ferramenta de comunicação do que com um médico, pelo menos para aqueles de nós cujos pacientes necessitam de intervenções que não sejam aconselhamento. Mas o atendimento verdadeiramente personalizado ainda está a poucos anos de distância.” – explica a médica em seu artigo.

Os poucos anos de distância são, mais precisamente, 14 anos. 2030 é o ano em que essa previsão se realizaria. Não completamente, mas, no mínimo, em parte, segundo Walker.

Entre as justificativas apresentadas estão as doenças vasculares, que são grande parte das doenças que mais necessitam do hospital. Como está havendo uma melhor compreensão dos casos, o caminho é torná-los mais previsíveis e evitáveis. Outro critério apresentado é que o monitoramento de saúde, com o uso da tecnologia, vai fazer com que as visitas médicas sejam mais raras, já que o smartphone poderá transmitir as informações da saúde dos pacientes.

Veja também: ‘Como a tecnologia está mudando a relação médico-paciente’

A expectativa é, ainda, que os exames como espectroscopia, ressonância magnética e raios-X sejam unidos em um único teste. “Isso significa que você só precisa de uma varredura, e nenhuma biópsia”, diz a médica. Assim, no lugar de uma enfermaria lotada, o espaço poderá ser dedicado apenas ao diagnóstico imediato e tratamento.

Tratamentos e cirurgias

Walker acredita que as prescrições também serão dadas de maneira diferente e administradas mais rápido. Implantes cerebrais podem ler seus sintomas e transmiti-los diretamente para o smartphone. Em seguida, um conjunto personalizado de medicamentos será impresso, diretamente da sua casa.

Avanços em genômica poderá fazer com que você saiba as doenças mais suscetíveis ao seu organismo, para que você esteja preparado ou mesmo já saber o procedimento a ser tomado. “Até 2030, a própria natureza da doença será ainda mais perturbada pela tecnologia. A quarta revolução industrial garantirá que os seres humanos vivam vidas mais longas e saudáveis. Você vai para o hospital para ser ‘remendado’ e colocar de volta na ‘pista’. Algumas práticas hospitalares podem até desaparecer completamente, e a necessidade de hospitalização acabará por desaparecer. Não até 2030, mas logo depois.”, escreve Walker.

O avanço da robótica na medicina sugere que o futuro das cirurgias também é próspero. Microbots podem ser a solução para a realização de procedimentos de dentro pra fora. “Os dispositivos de monitorização do paciente que se podem usar irão alimentar continuamente os dados dos sensores externos de segunda pele e os sensores neurais interligados no cérebro irão oferecer uma “microamostragem” incrivelmente precisa para ser feita em tempo real”, acredita a médica.

Veja mais: ’10 inovações que vão mudar a medicina em 2017′

Doenças agudas e graves, como coágulos ou até tumores, também serão tratadas dessa maneira. Cateteres endovasculares robóticos poderão substituir os bisturis e cirurgias invasivas.

A espera por doações de órgãos e ossos é mais uma coisa que deve acabar. Melhorias da impressão 3D poderão fazer com que órgãos, tecidos, ossos e ligamentos sejam biologicamente impressos, impedindo que muitas pessoas morram na fila.

Parece insano? Loucura? Se você acha isso, Walker diz para pensar mais uma vez, já que a maioria dessas tecnologias está quase pronta ou em desenvolvimento: “Médicos como eu estão voltando ao treinamento para dominar técnicas endovasculares e aqueles de nós com habilidades de ciência da computação estão empurrando duro para integrar ferramentas digitais em nosso campo de prática. A impressão 3D é a notícia de ontem. Empresas farmacêuticas sob demanda já existem. Laço neural – uma interface cérebro-máquina – está prestes a ser fato científico, e não ficção científica.”

É claro que ainda são previsões e expectativas, e que muita coisa precisa ser pensada para que todas essas possibilidades se tornem reais. Mas pensar nisso também é importante, pois faz com que os pesquisadores se aprofundem nesses aspectos, e os médicos e empresas voltadas para inovações na área de medicina acreditem nessas possibilidades a ponto de investirem e ajudarem a torná-las reais. Para Walker, falta um ambiente regulatório, financiamentos e mais mulheres na área de ciência e tecnologia; mas impossível não é.

E você? Acredita que sua próxima parada poderá ser a casa do paciente?

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250-BANNER2Referências:

  • https://www.weforum.org/agenda/2016/11/healthcare-in-2030-goodbye-hospital-hello-home-spital

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