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Alerta de sarampo no Brasil: o que você precisa saber

Tempo de leitura: 4 minutos.

Em um passado não muito distante (2016), as Américas se tornaram a primeira região do mundo a eliminar o vírus do sarampo do território. Na ocasião, o Brasil recebeu certificado de eliminação da doença. Estamos próximos a perder este título, caso nenhuma atitude seja tomada.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro emitiu um alerta para a possibilidade de reintrodução da doença no estado. O documento foi liberado pela existência de um caso de sarampo de residente do município do Rio de Janeiro, com relato de participação nos Jogos Estaduais Estudantis Jurídicos realizados no município de Petrópolis no período entre 30 de maio e 03 de junho de 2018.

Foi solicitado às equipes das Vigilâncias Epidemiológicas Municipais que casos que tenham apresentado febre e exantema, com participação no referido evento, ou com história de contato com participante do mesmo, sejam investigados para sarampo independente da suspeição inicial.

Quando considerar um caso suspeito de sarampo?

O paciente que apresentar:

FEBRE E EXANTEMA acompanhado de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse, coriza, conjuntivite, independentemente da situação vacinal. A notificação deve ser imediata!

Devemos estar atentos às seguintes recomendações:

  • Comunicar aos profissionais de saúde de seu município (rede pública e privada) sobre esta situação;
  • Garantir que as notificações dos casos suspeitos sejam feitas imediatamente à Secretaria Municipal de Saúde e que a investigação seja logo iniciada, para que as medidas de controle possam ser tomadas o mais breve possível. Lembramos que as medidas de controle devem ser iniciadas independentes de confirmação laboratorial.
  • Notificar o caso suspeito em 24 horas
  • Realizar a vacinação de bloqueio nos contatos suscetíveis do caso suspeito, o mais breve possível. A idade mínima para vacinação nesta situação é de seis meses de idade e a idade máxima deverá ser definida de acordo com a situação epidemiológica. Não vacinar indivíduos com sintomas. As doses aplicadas em crianças entre 6 e 11 meses não deverão ser consideradas válidas para rotina.
  • Garantir que a vacinação dos grupos de risco continue sendo realizada, principalmente aos profissionais de saúde e de turismo.
  • Garantir que todos os casos sejam investigados laboratorialmente.

LEIA MAIS: Novo calendário nacional de vacinação do Ministério da Saúde para 2018

O SARAMPO NO MUNDO E NO BRASIL

Em junho, a Organização Mundial de Saúde emitiu um alerta sobre a disseminação de casos de sarampo nas Américas e exortou países a reforçarem a vacinação.

Os seguintes dados foram divulgados:

  • Ao todo, 1115 casos na região foram registrados até o final de abril de 2018. O número já é superior ao registrado em todo o ano de 2017 (895).
  • A Venezuela responde por 904 infecções; Brasil aparece em segundo lugar (104); seguido dos Estados Unidos (63). Outros países com casos são: Antígua e Barbuda (1 caso), Argentina (3), Canadá (9) Colômbia (21), Equador (3), Guatemala (1), México (4) e Peru (2).

Esta semana, foram divulgados dados alarmantes sobre a doença na região norte do Brasil:

  • Um surto de sarampo atinge os estados do Amazonas e de Roraima. Até o último balanço, divulgado nesta segunda-feira (2 de julho) pelo Ministério da Saúde, já haviam sido registrados nos dois estados perto de 500 casos da doença no ano.
  • No total, já foram confirmados 263 casos de sarampo no Amazonas, além de 1.368 ainda em investigação pelos órgãos de vigilância e 125 já descartados. Do total, 82% das ocorrências foram registradas na capital, Manaus.

Como anda seu esquema vacinal?

A vacina que previne o sarampo é a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Segue abaixo o esquema vacinal:

  • Para ser considerado protegido, todo indivíduo dever ter tomado duas doses na vida, com intervalo mínimo de um mês, independentemente da idade.
  • Na rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para a vacinação infantil, a primeira dose desta vacina é aplicada aos 12 meses de idade; e aos 15 meses (quando é utilizada a vacina combinada à vacina varicela [quádrupla viral: SCR-V]).
  • Para crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam como rotina duas doses, uma aos 12 meses e a segunda quando a criança tiver entre 1 ano e 3 meses e 2 anos de idade, junto com a vacina varicela, podendo ser usadas as vacinas separadas (SCR e varicela) ou combinada (quádrupla viral: SCR-V).
  • Crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados: duas doses com intervalo de um a dois meses.

Onde a vacina pode ser encontrada:

  • Nas Unidades Básicas de Saúde, duas doses para pessoas de 12 meses a 29 anos. Uma dose para adultos entre 30 e 49 anos. Eventualmente, em caso de surtos, o Ministério da Saúde (MS) pode realizar campanhas de vacinação para crianças a partir de 6 meses de vida. Esta dose “extra” não substitui as duas doses recomendadas no esquema de vacinação.
  • Nas clínicas privadas, está disponível para a vacinação de crianças a partir de 12 meses, adolescentes e adultos de qualquer idade.

Precisamos estar atentos, pois a detecção precoce dos casos de sarampo é essencial para que as medidas de controle sejam tomadas o mais breve possível visando impedir a reintrodução dos vírus em nosso país. Como médicos, temos um papel essencial não só no diagnóstico e tratamento da doença, como na divulgação da vacinação para nossos pacientes. Vamos marcar este gol e não deixar o Brasil perder este título!

LEIA MAIS: Sarampo – apresentação clínica e diagnóstico

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