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Estatina pode diminuir progressão da fibrose hepática?

A cirrose pode ser amplamente categorizada como compensada ou descompensada. Pacientes com cirrose descompensada apresentam complicações, incluindo ascite, hemorragia varicosa e encefalopatia hepática. Essas complicações podem levar ao transplante hepático e aumentar o risco de mortalidade. Os pacientes com cirrose compensada têm uma mediana de sobrevida superior a 12 anos, enquanto que a mediana de sobrevida de pacientes com cirrose descompensada pode ser inferior a 2 anos.

Pacientes com doença hepática crônica também apresentam maior risco de complicações cardiovasculares. A prevalência de doença arterial coronariana é de 20% em pacientes com cirrose, em comparação com 12% na população geral.

As estatinas podem melhorar os desfechos em pacientes com doença hepática crônica. Uma revisão sistemática e metanálise publicada no The American Journal of Gastroenterology foi conduzida para avaliar o impacto das estatinas na doença hepática crônica.

Buscas bibliográficas foram realizadas em vários bancos de dados até 17 de outubro de 2016 para identificar estudos comparativos que avaliaram o papel das estatinas na doença hepática crônica. Desfechos de interesse foram associações entre o uso de estatinas e a progressão da fibrose, desenvolvimento da descompensação hepática na cirrose e mortalidade.

Veja também: ‘Cirrose Hepática: apresentação clínica e manifestações clássicas’

No total, foram incluídos 10 estudos, sendo um ensaio clínico randomizado e nove estudos observacionais, contemplando 259.453 pacientes (54.441 usuários de estatinas e 205.012 não usuários).

Seis estudos com 204.181 pacientes avaliaram a progressão da fibrose ou desenvolvimento de cirrose, com 52.430 usuários de estatinas e 151.751 não usuários. Para a progressão da fibrose hepática, o hazard ratio [HR] combinado foi de 0,49 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 0,39 a 0,62).

Para a progressão da fibrose em pacientes com infecção pelo vírus da hepatite C, o HR combinado foi de 0,52 (IC 95%: 0,37 a 0,73). Para descompensação hepática na cirrose, o HR combinado foi de 0,54 (IC 95%: 0,46 a 0,65).

Em relação a mortalidade, o HR combinado com base em estudos observacionais foi de 0,67 (IC 95%: 0,46 a 0,98) e no ensaio clínico randomizado controlado foi de 0,39 (IC 95%: 0,15 a 0,99). No entanto, a qualidade da evidência para essas associações é baixa, pois os estudos incluídos foram de natureza retrospectiva e limitados por confundimento residual.

A revisão sistemática e metanálise nos permite concluir que as estatinas podem retardar a progressão da fibrose hepática, prevenir a descompensação hepática na cirrose e reduzir a mortalidade por todas as causas em pacientes com doença hepática crônica. Como a qualidade da evidência é baixa, são necessários mais estudos antes que as estatinas possam ser rotineiramente recomendadas.

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Autora:

Referência:

  • Kamal S, Khan MA, Seth A, Cholankeril G, Gupta D, Singh U, et al. Beneficial Effects of Statins on the Rates of Hepatic Fibrosis, Hepatic Decompensation, and Mortality in Chronic Liver Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis. Am J Gastroenterol. 2017 Jun 6. doi: 10.1038/ajg.2017.170. [Epub ahead of print]

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