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Intervalos de referência da vitamina D: sociedades brasileiras fazem posicionamento oficial

Tempo de leitura: 4 minutos.

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) publicaram seu posicionamento oficial sobre os intervalos de referência da vitamina D. Este tem como objetivo discutir e sugerir uma melhor prática na solicitação e interpretação dos resultados, bem como definir valores de referência de 25(OH)D de acordo com a faixa etária e presença ou não de doenças crônicas.

Os autores consideram pontos essenciais para a indicação de um tratamento eficaz (e livre de riscos), baseado nas evidências científicas atuais:

– Indicação correta da solicitação do exame
– Processamento adequado da amostra
– Interpretação/avaliação crítica dos resultados

O objetivo desse artigo é fazer um resumo desse posicionamento, destacando os principais pontos.

Indicações para solicitação de 25(OH)D:

Não existem evidências para a solicitação do nível sérico de 25(OH)D para a população adulta sem comorbidades. Portanto, a triagem populacional indiscriminada não está indicada. A dosagem do nível sérico de 25(OH)D deve ser indicada na presença de situações clínicas especiais, conforme listado a seguir.

Grupos de risco para Hipovitaminose D:

1) Pacientes que se enquadram neste grupo se beneficiam com a manutenção de valores de 25(OH)D entre 30 e 60 ng/mL.

• Idosos – acima de 60 anos;
• Indivíduos com fraturas ou quedas recorrentes;
• Gestantes e lactantes;
• Osteoporose (primária e secundária);
• Doenças osteometabólicas: raquitismo, osteomalácia, hiperparatireoidismo;
• Doença Renal Crônica;
• Síndromes de má-absorção: após cirurgia bariátrica e doença inflamatória intestinal;
• Medicações que possam interferir com a formação e degradação da vitamina D: terapia antirretroviral, glicocorticoides e anticonvulsivantes;
• Neoplasias Malignas;
Sarcopenia;
• Diabetes;

LEIA MAIS: Relação entre vitamina D e diabetes tipo 2 – perguntas e respostas

2) Situações em que a dosagem está indicada, mas não existem evidências para a manutenção de valores acima de 30 ng/ml.

• Indivíduos que não se expõem ao sol ou que tenham contraindicação à exposição solar;
• Obesidade;
• Indivíduos com pele escura.

Intervalos de referência – 25(OH)D:

O posicionamento em relação aos valores ideais de 25(OH)D para a população deverá ser estratificado de acordo com a idade e as características clínicas individuais.

1) Acima de 20 ng/mL é o valor desejável para população saudável (até 60 anos).

2) Entre 30 e 60 ng/mL é o valor recomendado para grupos de risco como: idosos (acima de 60 anos), indivíduos com fraturas ou quedas recorrentes, gestantes e lactantes, osteoporose (primária e secundária), doenças osteometabólicas, tais como raquitismo, osteomalácia, hiperparatireoidismo, doença renal crônica, síndromes de má-absorção, como após cirurgia bariátrica e doença inflamatória intestinal, medicações que possam interferir com a formação e degradação da vitamina D (terapia antirretroviral, glicocorticoides e anticonvulsivantes), neoplasias malignas, sarcopenia e diabetes.

3) Acima de 100 ng/mL: risco de toxicidade e hipercalcemia.

Consequências clínicas

1) As ações mais conhecidas e estudadas da vitamina D estão relacionadas ao metabolismo ósseo:
A hipovitaminose D leva à deficiência na absorção do cálcio e, com isto, a um quadro de hiperparatiroidismo secundário, o qual, por sua vez, pode levar à perda de massa óssea pelo aumento da reabsorção, e a fraturas.
Níveis de 25(OH)D < 10 ng/mL podem levar ao raquitismo em crianças e à osteomalácia em adultos.

2) A existência de efeitos extraesqueléticos da vitamina D ainda está sob investigação:
Metanálises com estudos de intervenção sugerem que a correção da deficiência reduz a mortalidade geral, e que a suplementação possivelmente tenha um papel protetor contra o câncer, especialmente de intestino grosso.
Estudos de intervenção randomizados e controlados por placebo, entretanto, são escassos e ainda incapazes de demonstrar evidências sobre muitos outros efeitos que vêm sendo descritos em outros sistemas. A suplementação de vitamina D visando esses efeitos não deve ser indicada.

Diagnóstico laboratorial

  • A determinação laboratorial do metabólito 25 hidroxivitamina D [25(OH)D] deve ser utilizada na avaliação do status de vitamina D de um indivíduo.
  • Deve-se levar em consideração que existe variação significativa entre os níveis de 25(OH)D obtidos nos diferentes métodos, o que dificulta a interpretação clínica dos resultados. O grande desafio do mercado diagnóstico é conseguir uma melhor harmonização entre os diferentes ensaios disponíveis, permitindo uma melhor comparação dos resultados entre diferentes laboratórios.
  • A cromatografia líquida de alta performance com detecção ultravioleta ou acoplada à espectrometria de massas em tandem (LC-MS/MS) é considerada o padrão ouro para a mensuração da 25(OH)D.

CONCLUSÃO

Este posicionamento permitirá uma maior padronização e divulgação para laboratórios e médicos dos intervalos de referência da 25(OH)D sugeridos pelas Sociedades Médicas (SBPC/ML e SBEM) diretamente envolvidas com o fluxo de solicitação, processamento, liberação e interpretação dos resultados deste analito.

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Autora:

Referências:

  • Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Intervalos de Referência da Vitamina D – 25(OH)D. Atualização 2018.

Um comentário

  1. Marsel Seabra

    Muito bom e útil

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