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paciente recebendo quimioterapia

Manifestações orais advindas do tratamento antineoplásico para o câncer de mama

Tempo de leitura: 3 minutos.

As lesões encontradas na cavidade oral de um paciente submetido à quimioterapia antineoplásica  compreendem as mais frequentes complicações desse tratamento. Isso acontece porque os fármacos quimioterápicos interferem no processo de divisão celular e, devido as células da mucosa oral serem de alto poder mitótico, acabam sendo alvos extremamente sensíveis a essa toxicidade.

As combinações dos agentes antineoplásicos, como vistas em casos de câncer de mama, podem potencializar a incidência dos efeitos adversos, acarretando diretamente na qualidade de vida desse paciente, bem como interferindo na continuidade do tratamento.

Para o câncer de mama, os principais esquemas terapêuticos utilizados são:

*Adaptado de: Instituto Oncoguia, 2014

No que reflete diretamente à cavidade oral, todos os fármacos acima causarão efeitos adversos. São eles:

Mucosite Oral

Apesar da mucosite ser de etiologia multifatorial, de todas as combinações terapêuticas mais utilizadas em câncer de mama, todas possuem alto potencial em causar mucosite. Seu aparecimento ocorre entre 5 a 10 dias após o ciclo de quimioterapia e, dependendo do grau, da imunossupressão desse paciente, do aparecimento de infecções secundárias, assim como outros fatores, esse paciente reduz consideravelmente sua qualidade de vida, muitas vezes ficando internado, se alimentando por nutrição enteral ou parenteral ou, até mesmo, não tendo condições de receber o próximo ciclo de quimioterapia.

A mucosite pode e deve ser tratada pelo cirurgião dentista antes do seu surgimento – de forma profilática, com o uso de crioterapia e laser de baixa potência, por exemplo -, assim como em todo o tratamento oncológico desse paciente, muitas vezes diariamente.

Hipossalivação e Xerostomia

O uso de medicações podem reduzir a quantidade e qualidade do fluxo salivar, levando a quadros de hipossalivação e sensação de boca seca, muitas vezes relatados pelos pacientes. Longe de ser somente um desconforto, essa alteração deve ser considerada, pois a saliva tem um importante papel de lubrificação, digestão e hidratação da mucosa já bem conhecido, mas, também, possui capacidade tampão, prevenindo o surgimento de infecções secundárias.

Uso de salivas artificiais, prescritos pelo cirurgião dentista, orientações de higiene oral, alimentos e outros artifícios melhoram de forma considerável quadros como estes.

Infecções secundárias

Em um ambiente extremamente convidativo para proliferação de micro-organismos, como é a cavidade oral de um paciente submetido a um tratamento oncológico, e considerando que esse paciente já esta imunossuprimido, as bactérias, vírus e fungos são os principais privilegiados e seu aparecimento é rápido e muitas vezes agressivo.

Quando combinados a quadros com mucosite e hipossalivação juntos, levam, novamente, a um débito de qualidade de vida considerável. O aumento dos dias de internação e do uso de medicações sistêmicas são vistos em casos como esses, especialmente se o paciente não foi atendido profilaticamente pelo cirurgião dentista ou se não foi tratado – de forma tópica na grande maioria das vezes – tão logo os pequenos sinais e sintomas surgiram.

Outras manifestações também são descritas, seja pela doença, pela condição clínica do paciente ou pelo quimioterápico – como sangramentos gengivais, doenças periodontais, cáries e quadro de abscesso flare up – que podem surgir de forma aguda ou tardiamente. A presença de um cirurgião dentista habilitado em Odontologia Hospitalar na equipe multidisciplinar pode colaborar de forma positiva não somente no tratamento das lesões orais, mas especialmente evitando-as.

Tão logo um paciente recebe o diagnóstico de um câncer, ele precisa ser assistido pelo dentista, que agirá removendo todos os focos de infecções permitindo que esse paciente esteja hábil a receber o tratamento. O acompanhamento ao longo de todo tratamento trará benefícios não só para o paciente, como para a eficiência do tratamento proposto pelo colega oncologista, e também reduzindo de forma considerável os custos para o hospital e/ou paciente.

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