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Predição de curto prazo do risco cardiovascular global em idosos

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Os guidelines de prevenção (ACC/AHA para controle de colesterol e hipertensão) recomendam o uso da Pooled Cohort Equation (PCE) para predição do risco cardiovascular global (doença coronariana, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca) em 10 anos. No entanto, a PCE tem sérias limitações em adultos acima de 75 anos. Ela exclui internação por insuficiência cardíaca (IC), estima o risco em 10 anos, que pode não ser o intervalo mais relevante, e não está indicada para indivíduos acima dos 79 anos.

Saeed et al estudaram 4.760 pacientes sem doença cardiovascular (DCV) prevalente com idade de 75,4 +/- 5,1 anos. Adicionaram à PCE a medida do peptídio natriurético n- terminal tipo pro-B (pro-BNP), troponina T cardíaca de alta sensibilidade, proteína C reativa de alta sensibilidade e um “modelo laboratorial” com os biomarcadores, idade, raça e gênero para melhora da predição de risco.

Após seguimento de cerca de quatro anos, a IC foi o evento cardiovascular de maior prevalência (193, seguido de 118 de doença coronariana e 81 acidentes vasculares cerebrais). Comparados a PCE, cada biomarcador apresentou melhora da predição de risco. A melhor estimativa de risco ocorreu com a soma dos três biomarcadores. O “modelo laboratorial” também apresentou vantagem sobre a PCE.

Os autores concluíram que a adição de biomarcadores ou um simples “modelo laboratorial” melhoram a estimativa de risco cardiovascular global de curto prazo, sendo útil no planejamento de estratégias a curto prazo em pacientes idosos.

Os guidelines da ACC/AHA para colesterol recomendam o uso da PCE em adultos de 76 a 79 anos e adotar uma estratégia conservadora quanto ao início de estatinas para prevenção primária em pessoas com mais de 75 anos. Deve haver uma análise das comorbidades, segurança e prioridades de cuidado, pois os estudos randomizados trazem pouca informação acima dessa idade.

Conforme os guidelines para hipertensão, pode-se assumir que idosos têm risco cardiovascular em 10 anos superior a 10%, estando incluídos na categoria de alto risco que requer o início de terapia anti-hipertensiva se a pressão for superior a 130/80mmHg.

O presente estudo foi observacional, sendo necessário o planejamento de um trial prospectivo para validar seus achados. No entanto, seus resultados indicam que podem ser extremamente úteis em uma população na qual as comorbidades aumentam rapidamente com o tempo exigindo estratégias mais ágeis para diminuir o risco cardiovascular global.

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Autor:

Alexandre Marins Rocha

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ⦁ Pós-graduação em Cardiologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro ⦁ Mestre em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense ⦁ Ecocardiografista no Labs Amais Grupo Fleury

Referências:

  • Saeed A., Nambi V. , Sun W. , Virani S. et al. Short-term Global Cardiovascular Disease Risk Prediction in Older Adults. Journal of the American College of Cardiology. 2018. Vol 71. No 22. P 2527-36.

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