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Uveíte por BK – Dr. Mauricio Pereira – Hospital Universitário Antônio Pedro

Uveítes: uma abordagem simplificada

Tempo de leitura: 4 minutos.

A orientação do Standardization of Uveitis Nomenclature (SUN) Working Group sobre a terminologia da uveíte, aprovada pelo International Uveitis Study Group (IUSG), categoriza anatomicamente a uveíte como:

  • Anterior: A câmara anterior é o principal local de inflamação.
  • Intermediária: inflamação primária do vítreo; incluindo a pars planitis.
  • Posterior: retina e/ou coroide.
  • Panuveíte: todas as estruturas uveais estão envolvidas.

Uma classificação clínica do IUSG com base na etiologia também é utilizada:

  • Infecciosa: bacteriana, viral, fúngica, parasitária, outros.
  • Não infecciosa: com e sem uma associação sistêmica.
  • Mascarada: neoplásica e não neoplásica.

As diretrizes do SUN Working Group incluem as seguintes descrições relativas ao tempo de atividade inflamatória:

  • Instalação: súbita ou insidiosa.
  • Duração: limitada (três meses ou menos) ou persistente.
  • Evolução clínica: aguda, recorrente ou crônica.

Imagens: Uveíte por Toxoplasmose – Dr. Mauricio Pereira– Hospital Universitário Antônio Pedro.

 

Como a uveíte anterior é apresentação mais comum, daremos destaque à mesma no presente editorial.

UVEÍTE ANTERIOR

A uveíte anterior é a inflamação envolvendo o trato uveal anterior – a íris e a parte anterior (pars plicata) do corpo ciliar – e é a forma mais comum de uveíte.

A uveíte anterior aguda (UAA) é a apresentação mais comum, das quais os tipos idiopática e associada ao HLA-B27 constituem a maior proporção.

A uveíte anterior crônica (UAC) é menos comum do que a UAA. É com mais frequência bilateral e a associação à doença sistêmica é mais provável.

O prognóstico geralmente é bom na maioria das UAAs idiopáticas e associadas ao HLA-B27 quando o tratamento é adequado. Os resultados são mais variáveis na UAC e nos casos em que há distúrbio ocular ou doença sistêmica subjacentes.

Aspectos Clínicos

  • Sintomas: dor unilateral, fotofobia, vermelhidão e secreção aquosa, às vezes precedida por desconforto ocular leve por alguns dias.
  • Acuidade visual
  • Injeção ciliar
  • Miose
  • Células da câmara anterior
  • Hipópio
  • Precipitados ceráticos
  • Flare aquoso
  • Exsudato fibrinoso
  • Nódulos na íris (Koeppe / Busacca)
  • Sinéquias Posteriores
  • Atrofia da íris
  • Irite Heterocrômica
  • Neovascularização da íris (rubeose iridis)
  • Pressão intraocular
  • Exame do segmento posterior

Etiologia

  • Idiopática
  • Uveíte associada à HLA-B27
  • Uveíte facogênica
  • Irite pós-operatória
  • Síndrome de uveíte-glaucoma-hifema
  • Doença de Behçet
  • Doença de Lyme
  • Isquemia do segmento anterior
  • Etiologias raras (caxumba/influenza/adenovírus/sarampo/chlamydia/outras)

Investigação

As investigações são muitas vezes negativas, sem determinação de causa subjacente clara em muitos pacientes. Em lugar de realizar uma bateria de testes de triagem, a investigação é feita sob medida para cada paciente, dirigida por características clínicas.

A investigação geralmente não está indicada nas seguintes circunstâncias:

  • Um episódio único de UAA não granulomatosa unilateral leve/moderada (sem hipópio) sem sugestão ocular ou sistêmica de doença subjacente.
  • Características clínicas típicas de uma entidade específica para a qual a investigação não é geralmente indicada.
  • Um diagnóstico sistêmico compatível com as características clínicas (ex: sarcoidose) já foi confirmado.

Situações em que a investigação de uveíte anterior é geralmente apropriada incluem:

  • UAA recorrente
  • UAA grave
  • UAA bilateral
  • Uveíte anterior que seja persistente, crônica ou resistente ao tratamento
  • Sinais inflamatórios granulomatosos
  • Associada à uveíte intermediária ou posterior
  • Características clínicas oculares ou sistêmicas sugestivas de doenças subjacentes
  • Algumas autoridades defendem sorologia da sífilis como rotina para todos os pacientes com uveíte na primeira apresentação

Diagnóstico Diferencial

  • Uveíte posterior com disseminação para câmara anterior
  • Irite traumática
  • Síndrome Posner-Schlossman
  • Uveíte induzida por fármacos
  • Esclerouveíte
  • CLARE
  • Ceratouveíte infecciosa
  • Endoftalmite infecciosa
  • Síndrome de Scharwartz-Matsuo
  • Tumor
  • Pseudouveíte por síndromes de dispersão pigmentar

Imagem: Uveíte por Vogt-Koyanagi-Harada – Dr. Mauricio Pereira– Hospital Universitário Antônio Pedro.

 

Tratamento

  • Esteroides tópicos
  • Agentes cicloplégicos
  • Midricaína
  • Ativador de plasminogênio tecidual
  • Esteroides subconjuntivais
  • Injeção regional de esteroide
  • Esteroides intraoculares
  • Esteroides sistêmicos
  • AINES
  • Antimetabólitos

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Autora:

Carolina Leal

Médica graduada pela Universidade do Grande Rio ⦁ Residente de Oftalmologia na Universidade Federal Fluminense ⦁ Médica do Hospital Naval Marcílio Dias

Referências:

  • KANSKI, Jack J. Oftalmologia clínica: uma abordagem sistemática. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  • GERSTENBLITH, Adam, RABINOWITZ, Michael. Manual de Doenças Oculares do Wills Eye Hospital – Diagnóstico e Tratamento no Consultório e na Emergência. 6.ed. Rio de Janeiro: Artmed, 2015. 492p. ISBN 9788582710418 (broch.).
  • DAGUANO, Carolina Rottili; BOCHNIA, Claudia Regina; GEHLEN, Marcelo. Uveíte anterior na ausência de esclerite em paciente com artrite reumatóide: relato de caso.Arq. Bras. Oftalmol., São Paulo ,  v. 74, n. 2, p. 132-133,  abr.  2011.
  • GOUVEIA, Enéias Bezerra; ELMANN, Dório; MORALES, Maira Saad de Ávila. Espondilite anquilosante e uveíte: revisão. Rev. Bras. Reumatol.,  São Paulo ,  v. 52, n. 5, p. 749-756,  Oct.  2012 .

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