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Oscilações do peso corporal e desfechos em doença coronariana

O papel da obesidade/sobrepeso como fator de risco para doença cardiovascular está sendo discutido desde o estudo de Framingham.

A tendência atual é de orientar a mudança de estilo de vida dos pacientes, incentivando-os a praticar atividade física e se alimentar de forma saudável. Um dos problemas comumente enfrentados por aqueles – coronariopatas e não coronariopatas – que tentam tais mudanças é o famoso “efeito sanfona” (perda de peso seguida por ganho de peso). Será que essas oscilações de peso corpóreo (PC) podem ter influência na história natural da coronariopatia?

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O New England Journal of Medicine publicou recentemente estudo que envolveu a análise post hoc de dados do Treating to New Targets trial (TNT). Nele, foi testado se a redução do LDL de forma mais agressiva, isto é, com doses mais elevadas de atorvastatina, teriam benefício em doentes com coronariopatia.

Cerca de 10.000 pacientes estavam envolvidos e tiveram um follow up com consultas no 3º mês, 6º mês, 9º mês e 1 ano e a cada 6 meses a partir do 2º ano. A mediana de acompanhamento foi de 4,9 anos. Foram comparadas as variações do PC com o desfecho primário (morte coronariana, IAM, morte súbita abortada, revascularização ou angina). Considerou-se novo caso de diabetes como desfecho também. Descartaram-se pacientes com IC com classe funcional 3 e 4 devido às mudanças frequentes de peso por volemia.

A análise foi feita tanto de forma categorial, dividindo os pacientes em quintis de variabilidade do PC, quanto de forma a ser uma variável contínua (tempo-dependente), para a qual se calculou o odds ratio para cada desfecho por aumento do peso em 1 desvio-padrão do PC (1,5 a 1,9 kg) em cada visita do follow-up. Foram feitos ajustes por categoria de IMC, alta x baixa variabilidade, idade, etnia, outros fatores de risco tradicionais de doença cardiovascular, etc.

Mais do autor: ‘Atividade Física X IMC X IC’

Neste estudo, oscilações do PC foram fortemente associadas com o risco de eventos cardiovasculares (incluindo morte) e novo diagnóstico diabetes mellitus. As associações aparentam ser independentes dos fatores de risco tradicionais. Os dados encontrados sugerem, inclusive, uma relação gradual, de forma que quanto maior o grau de variabilidade, maior era o risco de eventos. Quando analisados alta variabilidade (maior ou igual a mediana – 1,76 kg) X baixa variabilidade (menor que a mediana) com IMC, nos pacientes com sobrepeso e obesidade (i.e. IMC maior que 25 e 30, respectivamente) o risco de eventos aumentou de forma ainda mais importante.

As associações vistas nessa análise de dados post hoc não permite inferir causalidade, mas ajuda a testar a hipótese de forma a direcionar mais atenção e estudo ao tema. De que maneira isto poderia afetar a prática médica? Quando os pacientes forem orientados a adotar um estilo de vida mais saudável, buscando praticar atividade física e mudando a alimentação, devemos salientar também que é fundamental mudar em definitivo. Saber que, se inicialmente atingida alguma perda de peso, não se deve relaxar e correr o risco de se entrar no ciclo de ganho e perda de peso, pois isso pode ser prejudicial à saúde.

Autor:

Referência:

  • Sripal Bangalore, et al. Body-Weight Fluctuations and Outcomes in Coronary Disease. New Eng J Med. 6 abril, 2017.

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